A chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28), provocou reações de aliados do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de apoiadores do parlamentar, derrotado na disputa presidencial. Enquanto integrantes da oposição criticaram a decisão judicial envolvendo os passaportes do senador, aliados do governo o acusaram de deixar o país para evitar a Justiça.
Aliados de Flávio criticam decisão de Moraes

Segundo informações divulgadas pelo G1 nesta quarta-feira (28), entre os apoiadores do senador, as manifestações foram marcadas por críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e por acusações de perseguição política.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, classificou a determinação relacionada aos passaportes como “abuso e humilhação”. Ele também afirmou que a oposição continuará mobilizada.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) questionou a segurança de quem se opõe ao governo e mencionou a possibilidade de o senador estar deixando o país em meio à pressão judicial.
Já o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo) chamou a saída de Flávio de “exílio político”. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele também levantou a hipótese de que aliados brasileiros e americanos teriam ajudado a organizar a viagem. Essa alegação, porém, não foi confirmada de forma independente no material citado.
O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL-SP) acusou integrantes do STF de usar a Justiça para perseguir adversários políticos. O governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), por sua vez, questionou o momento da decisão sobre os passaportes e afirmou não ter informações sobre a saída do senador.
Outros nomes, como Bia Kicis (PL-DF), Marcel van Hattem (Novo-RS) e José Medeiros (PL-MT), também manifestaram apoio a Flávio ou criticaram a atuação das autoridades. O empresário Pablo Marçal agradeceu ao senador pela campanha e declarou apoio a ele.
Aliados de Lula acusam Flávio de fugir da Justiça

Entre os aliados do presidente Lula, as reações foram predominantemente críticas. O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), chamou Flávio de “covarde” e afirmou que o senador abandonou os eleitores que confiaram nele.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) classificou a situação como “ininteligível”. Em conversa com jornalistas na terça-feira (27), ele afirmou que, após uma derrota eleitoral, o esperado seria agradecer aos eleitores, cumprimentar o adversário e seguir a vida política.
O deputado André Janones (Rede-MG) apresentou uma avaliação diferente sobre as possíveis consequências de uma eventual prisão do senador. Para ele, uma ordem desse tipo poderia reforçar o discurso de perseguição política e reunir novamente os apoiadores de Flávio.
A deputada eleita Ana Júlia Ribeiro (PT-PR) ironizou a saída do país, lembrando declarações atribuídas ao senador durante a campanha de que permaneceria no Brasil independentemente do resultado eleitoral. O deputado eleito Guilherme Cortez (PSOL-SP) também criticou a viagem e fez referências a controvérsias envolvendo Flávio.
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) questionou a conduta do parlamentar e citou o juramento constitucional feito por ele ao assumir o mandato. Já a senadora eleita Marília Arraes (PDT-PE) afirmou que Flávio deveria respeitar o resultado das urnas.
Também se manifestaram contra a saída do senador a senadora Teresa Leitão (PT-PE), o senador Humberto Costa (PT-PE), a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e a ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos (PCdoB). As declarações incluíram acusações de fuga, críticas à postura do parlamentar e cobranças para que as investigações relacionadas a ele prossigam.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ministro da Educação, Camilo Santana (PT-CE), compartilharam uma publicação do partido com críticas ao senador.
Investigações e acusações políticas
Parte das manifestações relacionou a viagem às investigações que envolvem Flávio Bolsonaro, incluindo suspeitas mencionadas por parlamentares sobre financiamento de um filme relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e possíveis irregularidades financeiras. As declarações constituem acusações políticas e referências a suspeitas, não comprovação de culpa.
As reações evidenciam a polarização em torno da saída do senador do Brasil. Enquanto aliados de Flávio sustentam que ele é alvo de perseguição política, integrantes da base governista cobram explicações sobre a viagem e defendem que eventuais investigações continuem.
