Publicação na Truth Social mostra a ilha sob uma bandeira americana e com estrutura militar; território, porém, permanece sob soberania dinamarquesa
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou neste sábado (31) uma imagem da Groenlândia representada como uma grande instalação militar americana. A ilustração, compartilhada na rede social Truth Social, mostra o território transformado em uma espécie de porta-aviões, com uma base aérea e uma bandeira dos Estados Unidos. A única frase na imagem é “Welcome to Greenland” (Bem-vindos à Groenlândia).
Localizada no extremo nordeste da América do Norte, a Groenlândia é um território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca. A ilha tem aproximadamente 57 mil habitantes, governo próprio, Parlamento, primeiro-ministro, idioma oficial e bandeira. A Dinamarca, no entanto, mantém responsabilidades sobre áreas como defesa militar e política externa, além de repassar recursos para sustentar a economia local.
A publicação de Trump ocorre em meio ao interesse estratégico do presidente americano pela região. Com 2,16 milhões de quilômetros quadrados, a Groenlândia é considerada a maior ilha do mundo. Cerca de 80% de sua superfície é coberta por gelo, mas o território também concentra reservas de terras raras e outros minerais considerados importantes para a indústria e a tecnologia.
Sua localização no Ártico também tem relevância militar e comercial. O avanço do aquecimento global pode abrir novas rotas marítimas na região, ampliando a disputa por influência entre Estados Unidos, Rússia e China.
Interesse estratégico e resistência dinamarquesa
Trump já havia manifestado interesse em adquirir a Groenlândia durante seu primeiro mandato, chegando a comparar a possível compra a um grande negócio imobiliário. A proposta foi rejeitada pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que classificou a ideia como absurda e afirmou que a ilha não estava à venda.
No segundo mandato, o presidente americano voltou a colocar o território entre as prioridades de sua política externa, associando o controle da região à segurança nacional dos Estados Unidos. As pressões sobre a Dinamarca e as ameaças de medidas comerciais aumentaram a tensão com aliados europeus.
Segundo as informações divulgadas, um acordo de segurança para o Ártico foi assinado em 22 de setembro, na sede da ONU. O entendimento reafirma a soberania dinamarquesa e o direito de autodeterminação dos groenlandeses, mas prevê uma ampliação da presença militar americana.
Entre os pontos anunciados estão a possibilidade de reativação e construção de duas instalações militares, a modernização da base espacial de Pituffik e a ampliação dos direitos de operação de aeronaves e embarcações americanas na região.
O acordo também estabelece restrições à instalação de bases militares permanentes de países que não integrem a Otan e prevê limitações à participação de investidores externos em setores estratégicos da infraestrutura local.
Apesar das concessões, a Groenlândia não foi incorporada aos Estados Unidos. O entendimento ainda depende de ratificação pelos parlamentos da Dinamarca e do território autônomo para entrar integralmente em vigor.
