Medidas tributárias implementadas durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevaram em até 21,55% a carga de tributos federais de uma indústria de calçados e em 13,17% a de uma rede varejista, segundo uma simulação encomendada pela Gazeta do Povo. Em uma clínica médica, o aumento calculado foi de 2,6%. Já um pequeno mercado e uma academia enquadrados no Simples Nacional não apresentaram variação.
O estudo foi elaborado por Mérces da Silva Nunes, especialista em Direito Tributário e sócia do escritório Silva Nunes Advogados. A análise comparou cinco empresas de diferentes setores e regimes tributários, mantendo constantes fatores como faturamento, folha de pagamento e características das operações.
Foram confrontadas as regras em vigor no fim de 2022 com as medidas adotadas até agosto de 2026. Segundo a análise, parte da elevação decorre de mudanças que limitaram o aproveitamento de créditos tributários, reduziram benefícios fiscais e retomaram gradualmente a cobrança de contribuições sobre a folha de pagamento.
Essas alterações podem aumentar os custos das empresas mesmo sem mudanças diretas nas alíquotas dos impostos, pois modificam a forma como os tributos são calculados ou compensados.
A carga tributária também ganhou espaço na disputa econômica entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da eleição. Enquanto o candidato do PL defende a redução de impostos, o governo Lula adotou medidas voltadas à ampliação da arrecadação federal.
Os percentuais apresentados se referem à simulação de cinco empresas específicas e não representam, necessariamente, a variação da carga tributária de todas as empresas brasileiras.
