A corrupção ganhou força entre as principais preocupações dos brasileiros, segundo levantamento da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg. O tema foi citado por 58,3% dos entrevistados, ante 53,4% em agosto, um aumento de 4,9 pontos percentuais.
Segundo informações divulgadas pelo Crusoé nesta quarta-feira (14), a criminalidade e o tráfico de drogas, porém, continuam na primeira posição do ranking, mencionados por 59,3% dos participantes. A saúde pública aparece em seguida, com 17,8%.
A pesquisa ouviu 5.026 pessoas entre os dias 3 e 8 de outubro.
Caso Master repercute na percepção sobre corrupção
O aumento da preocupação com a corrupção ocorre em meio à repercussão do caso envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O episódio tem provocado debates políticos e questionamentos sobre possíveis vínculos entre figuras públicas e pessoas relacionadas ao caso.
Em levantamento anterior da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgado em setembro, 49,5% dos entrevistados disseram considerar que a crise prejudicava mais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 20,9% apontaram maior prejuízo ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na mesma pesquisa, a percepção sobre o envolvimento de aliados dos dois grupos políticos estava praticamente dividida.
O levantamento também registrou aumento na percepção de envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Master. Em março, 66,1% dos entrevistados tinham essa percepção. O percentual chegou a 85,1%, uma elevação de 19 pontos percentuais.
Apenas 4,4% disseram não enxergar ligação direta, enquanto 10,5% não souberam responder. Esses números representam as opiniões dos entrevistados e, por si só, não comprovam a existência de irregularidades ou responsabilidade criminal.
Pesquisa BTG/Nexus mostra vantagem de Flávio entre abstencionistas
Outro levantamento, realizado pela BTG/Nexus e divulgado na terça-feira (13), aponta que Flávio Bolsonaro aparece à frente de Lula entre os eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.
Entre os entrevistados que se abstiveram, 49% disseram que pretendem votar no senador no segundo turno, contra 41% que declararam intenção de voto no presidente. Outros 6% afirmaram que escolheriam nenhum candidato, branco ou nulo, enquanto 3% não souberam responder ou não responderam.
Os números indicam um desafio para Lula na tentativa de conquistar o apoio dos eleitores que ficaram fora da votação inicial.
Eleitores da terceira via também favorecem Flávio
A pesquisa BTG/Nexus também aponta vantagem de Flávio Bolsonaro entre eleitores de candidatos que disputaram o primeiro turno fora da polarização entre Lula e o senador.
Entre os que votaram em Romeu Zema (Novo), pelo menos 80% disseram que pretendem apoiar Flávio no segundo turno. O percentual é de 55% entre os eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 43% entre os de Augusto Cury (Avante) e 37% entre os que escolheram Renan Santos (Missão).
Lula, por sua vez, aparece com 27% das intenções de voto entre os eleitores de Caiado, 41% entre os de Cury e 30% entre os de Renan Santos.
No grupo que votou em Zema no primeiro turno, nenhum entrevistado declarou intenção de votar em Lula no segundo, segundo os dados apresentados.
Os resultados sugerem que a disputa pelo apoio de abstencionistas e eleitores da terceira via pode ser decisiva para os candidatos. Ainda assim, pesquisas eleitorais refletem as intenções dos entrevistados no período em que foram realizadas e não representam garantia do resultado das urnas.
