O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, liderava a disputa pelas eleições legislativas de Israel após a apuração de aproximadamente 85% dos votos, nesta quarta-feira (28). Apesar da vantagem, o bloco governista ainda não havia alcançado a maioria necessária para formar um novo governo, segundo dados da Comissão Eleitoral Central israelense.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo, na contagem parcial, a coalizão liderada por Netanyahu aparecia com 53 das 120 cadeiras do Parlamento, conhecido como Knesset. O bloco de oposição, liderado por Gadi Eisenkot, somava 48 assentos, enquanto os partidos árabes tinham 19. Para obter maioria parlamentar, são necessários pelo menos 61 deputados.
Os números diferiam das pesquisas de boca de urna divulgadas após o encerramento da votação, que apontavam uma disputa equilibrada entre os dois principais blocos. A apuração continuava, e os resultados ainda eram provisórios.
Netanyahu promete governo de direita
Após a votação, Netanyahu afirmou que o Likud era o maior partido do país e defendeu a formação de um governo de direita. O premiê também pediu a união da maioria judaica e sionista e descartou a possibilidade de depender do apoio de partidos árabes para governar.
Netanyahu ainda declarou que Israel teria uma oportunidade de ampliar a cooperação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para enfrentar o Irã.
Eisenkot, principal adversário do premiê, afirmou que os resultados indicavam falta de confiança em Netanyahu e prometeu trabalhar para substituí-lo. O chanceler Gideon Saar, integrante do Likud, por sua vez, considerou prematuro comemorar os resultados antes da conclusão da apuração.
Yousef Jabareen, líder da Lista Conjunta Árabe, sinalizou disposição para dialogar com forças contrárias ao atual governo. A participação desses partidos nas negociações pode influenciar a formação de uma nova coalizão, embora a composição final do governo ainda dependa de acordos entre as legendas.
Formação do governo depende de negociações
Em Israel, os eleitores votam em listas partidárias, e não diretamente para primeiro-ministro. As cadeiras são distribuídas proporcionalmente aos votos recebidos pelos partidos que superam a cláusula de barreira de 3,25%.
Após a divulgação dos resultados, o presidente Isaac Herzog consulta as legendas e encarrega um parlamentar de tentar formar uma coalizão. O indicado dispõe inicialmente de 28 dias, com possibilidade de prorrogação por até 14 dias.
Diante da incerteza, Herzog defendeu que os partidos busquem um acordo para evitar uma nova eleição. Enquanto um novo governo não for formado e obtiver a confiança do Parlamento, Netanyahu permanece no cargo.
Segurança e economia dominam a disputa
A eleição ocorreu em meio a debates sobre o custo de vida, a segurança nacional, o recrutamento militar de judeus ultraortodoxos e as falhas de segurança que antecederam os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023.
Netanyahu, que acumula mais de 19 anos no poder em diferentes períodos, busca permanecer no cargo com o apoio de partidos religiosos e de direita. Seus aliados apresentam as operações militares contra o Hamas, no Líbano e contra o Irã como parte dos esforços para reforçar a segurança israelense.
A oposição, por sua vez, cobra uma investigação sobre as falhas que permitiram os ataques de outubro de 2023. Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, também defende mudanças no serviço militar e a preservação da independência do Judiciário.
Com a apuração ainda em andamento e nenhum dos blocos com maioria própria, o resultado final e as negociações políticas devem definir quem terá condições de comandar o próximo governo israelense.