A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou na quinta-feira (29) que o aparato de repressão ligado ao chavismo continua ativo no país, mesmo após a captura de Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em janeiro. A declaração foi feita durante sua primeira entrevista coletiva desde o retorno à Venezuela, na Universidade Católica Andrés Bello, em Caracas.
A manifestação ocorreu horas depois de a presidente interina, Delcy Rodríguez, anunciar uma série de reformas e prometer mudanças nas instituições venezuelanas. María Corina, no entanto, questionou a permanência de integrantes do antigo regime em posições de poder e alertou para o risco de retaliações contra opositores.
“O sistema de repressão que obrigou milhares de venezuelanos a se esconder, que sequestrou milhares de cidadãos, que torturou e assassinou, segue no poder”, declarou a opositora.
MARÍA CORINA RECONHECE MUDANÇAS, MAS ALERTA PARA CONTINUIDADE DO REGIME
Apesar das críticas, María Corina reconheceu que houve avanços desde a captura de Maduro. Segundo ela, as mudanças ocorridas até agora não foram suficientes para desmontar a estrutura política e institucional construída durante os governos chavistas.
“Claramente foram dados passos importantes. Eu não estaria aqui hoje se isso não tivesse acontecido, mas essas pessoas continuam lá, e sua capacidade de retaliação continua sendo uma preocupação para a comunidade venezuelana”, afirmou.
A opositora defendeu que o desmonte do aparato de repressão e a libertação dos presos políticos sejam prioridades no processo de transição. Para ela, a permanência de antigos integrantes do regime em cargos estratégicos representa um obstáculo às mudanças prometidas.
OPOSITORA QUESTIONA CAPACIDADE DE DELCY RODRÍGUEZ
María Corina também colocou em dúvida a capacidade de Delcy Rodríguez de conduzir uma transformação institucional no país. A líder da oposição lembrou que a presidente interina ocupou diferentes cargos durante os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro.
“A senhora Delcy Rodríguez diz que vai reconstruir as instituições, a Justiça, a confiança, a harmonia, a paz. É sério?”, questionou.
Na avaliação de María Corina, os responsáveis pelo enfraquecimento das instituições democráticas e pela crise que levou milhões de venezuelanos a deixar o país não deveriam comandar o processo de reconstrução sem prestar contas.
“Os venezuelanos já sabemos quem é quem, sabemos o que queremos e o que não queremos”, declarou.
ELEIÇÕES NA VENEZUELA AINDA NÃO TÊM DATA
Em pronunciamento à população, Delcy Rodríguez prometeu reformas no sistema judicial, garantias contra prisões arbitrárias e a realização de novas eleições. Segundo ela, o processo eleitoral deverá ser organizado por um Conselho Nacional Eleitoral renovado e contar com fiscalização internacional.
“Haverá eleições, todas as que determina nossa Constituição, organizadas por uma autoridade eleitoral renovada e com o mundo como testemunha”, afirmou a presidente interina. Apesar da promessa, nenhuma data foi anunciada.
María Corina Machado disse estar convencida de que a eleição presidencial será realizada em 2027. O prazo está previsto na proposta de transição apresentada pelo governo dos Estados Unidos após a captura de Maduro.
O plano, defendido pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, prevê três etapas: estabilização política, recuperação econômica e transição democrática. Até o momento, porém, o calendário eleitoral venezuelano continua sem definição oficial.
