O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta um cenário difícil para reverter a disputa presidencial no segundo turno, segundo avaliação do cientista político Bruno Soller, CEO do instituto Real Time Big Data. Em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles, nesta terça-feira (20), o especialista afirmou que as pesquisas indicam uma tendência de consolidação da liderança do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Levantamento divulgado pelo Real Time Big Data na segunda-feira (19) aponta Flávio com 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. Os dois candidatos aparecem em empate técnico, considerando a margem de erro da pesquisa, mas Soller avalia que o senador mantém uma posição favorável na corrida ao Palácio do Planalto.
“A missão do presidente Lula fica extremamente difícil”, afirmou o cientista político. Para ele, o petista precisa reconquistar eleitores que votaram por uma mudança no governo, enquanto Flávio reúne parcelas do eleitorado que buscam uma alternativa ao PT.
Antipetismo favorece candidatura de Flávio
Na avaliação de Soller, a liderança do senador está relacionada ao sentimento de rejeição ao PT e à concentração dos votos da oposição em torno de um único candidato. Segundo o especialista, outros nomes não conseguiram reunir o apoio necessário para se consolidar como principal alternativa a Lula.
O analista avalia que parte do eleitorado escolheu Flávio de maneira pragmática, com o objetivo de derrotar o atual presidente. Esse movimento, segundo ele, já teria começado no primeiro turno e se intensificado após a definição dos candidatos que avançaram para a etapa final da eleição.
Soller também apontou os recentes episódios envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) como um fator que pode ter influenciado o comportamento de eleitores. Segundo sua análise, parte do público que ainda buscava uma alternativa política teria concentrado os votos em Flávio após esses acontecimentos.
Insatisfação com o governo é desafio para Lula
Outro ponto destacado pelo CEO do Real Time Big Data é a avaliação da população sobre a gestão petista. Para ele, o nível de insatisfação com o governo representa um obstáculo para a campanha de Lula, pois pode estimular a procura por uma candidatura de oposição.
“Esse é o grande drama do presidente Lula: as pessoas estão mais insatisfeitas do que satisfeitas com seu governo”, declarou Soller durante a entrevista.
Na visão do especialista, esse cenário ajuda a explicar por que Flávio Bolsonaro teria conseguido reunir eleitores de diferentes setores da oposição. A avaliação, porém, representa a interpretação do cientista político sobre as tendências eleitorais, e não uma garantia de resultado.
Sudeste concentra disputa por votos
Soller também destacou o peso eleitoral do Sudeste, região que reúne os maiores colégios eleitorais do país. Segundo ele, o desempenho de Lula nos quatro estados da região representa um dos principais desafios para a tentativa de reeleição.
O analista citou diferenças expressivas na votação entre os candidatos em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais. De acordo com sua avaliação, a vantagem de Flávio nesses estados pode representar um volume significativo de votos e dificultar a recuperação do presidente.
Dados mencionados na reportagem apontam que Lula recebeu cerca de 1,7 milhão de votos a menos em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em comparação com o primeiro turno de 2022. Soller estima que o resultado nos quatro estados do Sudeste represente uma diferença de quase 6 milhões de votos a favor de Flávio.
Para o cientista político, a capacidade de Lula de recuperar apoio nessa região será decisiva para o desfecho da eleição. Apesar da vantagem apontada pelo levantamento, o cenário permanece sujeito às mudanças na intenção de voto até a realização do segundo turno.
