O governo de Portugal escolheu o grupo alemão Lufthansa para adquirir uma participação de até 49,9% da TAP Air Portugal, em mais uma etapa do processo de privatização da companhia aérea. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (14) pelo primeiro-ministro português, Luís Montenegro, após uma reunião do Conselho de Ministros. A decisão encerra a disputa com a Air France-KLM, que também apresentou proposta para entrar no capital da empresa.
A operação prevê o pagamento de € 1,025 bilhão pela aquisição inicial de 44,9% das ações. A participação poderá chegar a 49,9%, caso os trabalhadores da TAP não comprem integralmente os 5% reservados a eles. Nesse cenário, o valor total da transação será de aproximadamente € 1,201 bilhão.
Segundo o governo português, a proposta financeira da Lufthansa foi até 16% superior à apresentada pela concorrente francesa. A escolha também levou em consideração critérios técnicos, condições contratuais e os planos de crescimento apresentados para a companhia aérea.
ESTADO PORTUGUÊS MANTERÁ CONTROLE DA COMPANHIA
Com a operação, o Estado português continuará com 50,1% do capital da TAP, mantendo o controle acionário da empresa nesta primeira fase da privatização. A conclusão do negócio ainda depende das etapas contratuais e das aprovações regulatórias necessárias.
O governo informou que a proposta da Lufthansa prevê a manutenção da marca TAP, da sede da companhia em Portugal e do centro de operações em Lisboa. O plano também contempla o reforço da presença da empresa no aeroporto do Porto e a preservação das ligações aéreas com as ilhas portuguesas.
PLANO PREVÊ AMPLIAÇÃO DA FROTA E MAIS VOOS INTERNACIONAIS
A proposta da Lufthansa prevê ampliar a frota da TAP dos atuais cerca de 100 aviões para 117 aeronaves até 2035, com a possibilidade de alcançar 130 unidades posteriormente. O plano inclui ainda investimentos na estrutura aeroportuária portuguesa e em áreas como manutenção, engenharia e formação de pilotos.
A companhia alemã também pretende fortalecer a atuação internacional da TAP, especialmente nas rotas para a América Latina. A parceria pode ampliar a integração da empresa portuguesa à rede global da Lufthansa, que já reúne companhias como SWISS, Austrian Airlines e ITA Airways.
A escolha faz parte de um processo de privatização que poderá avançar para uma nova etapa. Segundo o governo português, os dois grupos interessados também apresentaram propostas para uma eventual aquisição da maioria do capital da TAP no futuro, mas essa possibilidade dependerá de um processo separado.
