O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), articula a ampliação de um bloco partidário com siglas do Centrão e da esquerda para fortalecer sua candidatura à reeleição ao comando da Casa, prevista para fevereiro de 2027. A estratégia pode pressionar o PL, que elegeu a maior bancada da próxima legislatura, a negociar apoio ao atual presidente ou correr o risco de perder espaço na distribuição de cargos e comissões.
Na quarta-feira (15), Motta reuniu dirigentes e líderes partidários em um almoço para oficializar a continuidade de um bloco formado por União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB, Cidadania e Podemos. A articulação prevê a entrada de outras legendas, entre elas PT, PCdoB, PSB e PDT, além de partidos menores de centro, como Solidariedade, PRD e Avante.
Segundo estimativas divulgadas pela coluna do Metrópoles, a aliança ampliada poderia reunir mais de 350 deputados. O número, porém, depende da adesão efetiva das siglas e do apoio dos parlamentares à candidatura de Motta. O PL elegeu 121 deputados para a próxima legislatura e discute a possibilidade de lançar um candidato próprio à presidência da Câmara.
PL PODE PERDER ESPAÇO NAS COMISSÕES
A articulação também envolve a distribuição de vagas na Mesa Diretora e nas comissões temáticas da Câmara. De acordo com a reportagem do Metrópoles, aliados de Motta avaliam que, se ficar fora do bloco, o PL poderá ter participação reduzida nesses espaços, inclusive com dificuldades para conquistar a presidência de comissões estratégicas.
Entre os objetivos do partido está a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), considerada uma das mais importantes da Casa. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) já manifestou interesse em comandar o colegiado.
PL DISCUTE CANDIDATURA PRÓPRIA
A tentativa de ampliar o bloco também busca reduzir a possibilidade de uma candidatura do PL à presidência da Câmara. Entre os nomes citados nas articulações internas do partido estão os deputados Sóstenes Cavalcante e Altineu Côrtes, ambos do PL do Rio de Janeiro.
A disputa deve ganhar força nos próximos meses, à medida que os partidos negociem alianças e espaços na futura composição da Casa. A eleição para a presidência da Câmara está prevista para fevereiro de 2027, e o resultado dependerá dos acordos firmados entre as bancadas e dos votos dos deputados.
