O jornalista norte-americano Glenn Greenwald saiu em defesa da revista Veja neste sábado (10), após críticas de apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relacionadas às reportagens sobre Daniel Vorcaro e supostos pagamentos ligados ao Instituto Lula e a um documentário sobre o presidente.
Greenwald afirmou que tentar caracterizar a publicação como antilulista e alinhada ao bolsonarismo ignora seu histórico editorial. “Retratar a Veja como uma revista antilulista e pró-Bolsonaro é uma completa piada, desmentida pela própria atuação da publicação ao longo de muitos anos”, declarou.
Fundador do site The Intercept Brasil, o jornalista relembrou a parceria com a Veja na cobertura da Vaza-Jato, conjunto de mensagens atribuídas ao então juiz federal Sergio Moro e a integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato.
Segundo Greenwald, a Folha de S.Paulo e a Veja foram os dois primeiros veículos com os quais o grupo compartilhou o material. Ele afirmou que ambos publicaram reportagens críticas à atuação de Moro, mas destacou que a Veja teria adotado, em alguns momentos, uma linguagem ainda mais contundente contra o magistrado.
O jornalista também lembrou que a revista publicou capas criticando a atuação de Moro em processos relacionados a Lula e à Lava Jato. Além disso, citou um texto da seção Carta ao Leitor no qual a publicação reconheceu ter sido excessivamente favorável ao então juiz, sem o devido espírito crítico.
Greenwald ressaltou, contudo, que mantém críticas à revista e que sua manifestação não pretende convencer o público a mudar de opinião sobre a Vaza-Jato.
A declaração ocorre em meio à repercussão de reportagens da Veja sobre gravações atribuídas a Vorcaro, nas quais seriam mencionados pagamentos relacionados ao Instituto Lula e à produção de um documentário sobre o presidente. As alegações precisam ser analisadas à luz das evidências disponíveis e das manifestações dos envolvidos.
