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Início Brasil

Funcionário admite ter feito filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro ao partido Missão

Por Junior Melo
20/out/2026
Em Brasil, Eleições, Política
Reprodução/X

Reprodução/X

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Um funcionário da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) admitiu à Polícia Federal (PF) ter realizado o cadastro fraudulento do senador Flávio Bolsonaro (PL) no partido Missão. Em depoimento voluntário prestado em Belo Horizonte, em 21 de agosto, Demóstenes Porto Fagundes afirmou que utilizou informações falsas e classificou o episódio como uma “brincadeira de mau gosto”.

Segundo o depoimento, o funcionário utilizou o sistema disponibilizado no site da legenda para registrar a filiação do senador. Ele teria inserido dados fictícios, incluindo um endereço inexistente, e alegado que pretendia receber material de campanha do partido. Fagundes negou que tivesse a intenção de prejudicar a candidatura presidencial de Flávio.

O celular do servidor foi apreendido para perícia. Ele trabalha na Infraero desde 2003, no cargo de profissional de serviços aeroportuários, e está cedido à Advocacia-Geral da União (AGU) desde 2017, conforme informações do Portal da Transparência.

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Filiação irregular provocou impasse no registro da candidatura

O caso veio a público em agosto, quando Flávio Bolsonaro descobriu que constava como filiado ao Missão, legenda diferente do PL, partido pelo qual pretendia disputar a Presidência da República. A situação impediu temporariamente o registro de sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O tribunal informou que não houve invasão hacker ao sistema de filiação partidária. Segundo a Corte, o cadastro ocorreu por meio do uso indevido da ferramenta por alguém que possuía credenciais vinculadas à legenda.

Na época, Flávio afirmou que o episódio representava uma tentativa de impedir sua candidatura. “O sistema vai tentar de tudo para me parar”, declarou o senador.

Partido Missão negou participação

O partido Missão declarou ter sido vítima de uma filiação fraudulenta e negou envolvimento na operação. A legenda informou que identificou a movimentação irregular em 2 de agosto e tentou cancelar o registro no mesmo dia, mas o pedido foi rejeitado pelo TSE.

A sigla também afirmou ter disponibilizado às autoridades informações técnicas, como registros de acesso, e-mails e endereços de protocolo de internet (IPs), para contribuir com a investigação. Segundo o partido, o gabinete de Flávio havia recebido comunicações sobre a ocorrência.

A versão apresentada pela legenda foi contestada pela campanha do senador, que questionou a condução do caso e pediu providências à Justiça Eleitoral.

TSE também identificou tentativa envolvendo Lula

Além do registro irregular em nome de Flávio Bolsonaro, o TSE identificou uma tentativa de alteração da filiação partidária do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse caso, o procedimento foi bloqueado antes de ser concluído.

Após os episódios, o tribunal adotou medidas para investigar as ocorrências e suspendeu temporariamente o processamento de novos registros de filiação partidária, enquanto apurava possíveis falhas e usos indevidos do sistema.

A investigação busca esclarecer as circunstâncias do cadastro fraudulento, identificar os meios utilizados para realizar a operação e apurar eventuais responsabilidades. A admissão atribuída a Fagundes representa um elemento da apuração, mas não substitui a conclusão das autoridades sobre todas as circunstâncias do caso.

Fonte: Revista Oeste

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