O influenciador Felca voltou às redes sociais após sete meses afastado e publicou um relato pessoal sobre o sofrimento psicológico que enfrentou e o desenvolvimento de fobia social. A publicação, feita no Dia de Combate ao Bullying, gerou repercussão política, em meio às cobranças de internautas para que personalidades públicas se posicionem sobre a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo o site Crusoé, parte dos apoiadores de Lula esperava que Felca publicasse um conteúdo contrário a Flávio Bolsonaro. A ausência de uma manifestação nesse sentido provocou críticas e cobranças nas redes sociais, que o veículo descreveu como uma campanha de bullying virtual.
O episódio se insere em uma discussão mais ampla sobre a pressão exercida sobre artistas e influenciadores durante o segundo turno. Nas redes, algumas personalidades têm sido cobradas a declarar apoio a um dos candidatos, sob o argumento de que sua visibilidade pode influenciar a decisão dos eleitores.
Ary Mirelle relata consequências de posicionamento político de João Gomes
Outro caso que ganhou repercussão envolve o cantor João Gomes. Após cobranças para que declarasse seu voto, a esposa do artista, a influenciadora Ary Mirelle, afirmou que o posicionamento político dele nas eleições de 2022 trouxe consequências pessoais e profissionais.
Segundo informações divulgadas pelo O Antagonista nesta terça-feira (20), em publicações nas redes sociais, Ary relatou que o marido sofreu ataques após se manifestar politicamente e que enfrenta depressão, necessitando de acompanhamento e tratamento. Ela também afirmou que a família recebe mensagens com ameaças direcionadas aos dois filhos do casal.
“Quero te explicar que da última vez que João se posicionou em uma eleição, ele foi extremamente cancelado, tem que ouvir coisas horríveis até hoje”, declarou a influenciadora.
Ary também rebateu críticas de que o cantor estaria contra o país ou contra o Nordeste. Segundo ela, João continua demonstrando orgulho de suas origens, apesar das cobranças recebidas.
Em 2022, o músico havia feito uma manifestação contra Jair Bolsonaro durante o Rock in Rio. No atual cenário eleitoral, João publicou uma declaração interpretada como indicação de voto em Lula, embora, segundo o texto original, não tenha citado diretamente o presidente.
Pressão política nas redes sociais
Os episódios reacenderam o debate sobre os limites da cobrança pública para que artistas e influenciadores revelem suas preferências eleitorais. Embora figuras conhecidas possam influenciar discussões políticas, a pressão acompanhada de ataques pessoais e ameaças levanta preocupações sobre a liberdade de expressão e o direito de não declarar voto.
A repercussão também evidencia como as redes sociais se tornaram um espaço central de disputa política, no qual manifestações pessoais podem ser interpretadas a partir das preferências partidárias de diferentes grupos.
No caso de Felca e João Gomes, as reações demonstram o conflito entre a expectativa de que figuras públicas se posicionem e o direito de preservar a própria privacidade, especialmente quando há relatos de consequências emocionais e ameaças à família.
