O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou, em carta enviada a uma congressista norte-americana, que o governo de Donald Trump apoia o direito dos brasileiros de escolher seus representantes por meio de eleições livres e justas. O documento foi assinado na quinta-feira (15) e também defendeu as sanções anteriormente aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além da classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
A carta responde a um documento enviado em setembro por um grupo de 31 deputados dos Estados Unidos. Na ocasião, os parlamentares pediram que a Casa Branca respeitasse o processo eleitoral brasileiro e acusaram o governo Trump de tentar interferir na disputa por meio de medidas econômicas, políticas e diplomáticas contra o Brasil.
Na resposta, o Departamento de Estado declarou que os Estados Unidos continuarão mantendo diálogo com a população brasileira, o setor privado e o governo que for eleito. Segundo o órgão, o objetivo é promover a segurança, o comércio recíproco, os investimentos e a prosperidade entre os dois países.
Apesar da manifestação de apoio a eleições livres e justas, o governo norte-americano não se comprometeu expressamente, na carta, a reconhecer o resultado da eleição presidencial brasileira, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.
GOVERNO DOS EUA REITERA ACUSAÇÕES CONTRA MORAES
O Departamento de Estado também defendeu as medidas adotadas contra autoridades e grupos brasileiros, afirmando que as decisões foram tomadas com base nos critérios legais e regulatórios aplicáveis a cada caso.
Sobre a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, em julho de 2025, o governo Trump alegou que a sanção se baseou em documentos e evidências de graves violações de direitos humanos. Na ocasião, autoridades norte-americanas acusaram o ministro de autorizar prisões preventivas consideradas arbitrárias e de restringir a liberdade de expressão. Essas afirmações representam a posição do governo dos Estados Unidos.
O governo norte-americano também acusou Moraes de promover uma iniciativa politicamente motivada para silenciar críticos, por meio de ordens dirigidas a plataformas digitais, incluindo empresas norte-americanas de redes sociais. A carta, conforme a reportagem da Folha de S.Paulo, reiterou as acusações, mas não apresentou novos detalhes sobre as evidências mencionadas.
Alexandre de Moraes foi retirado da lista de sancionados pela Lei Magnitsky em 12 de dezembro de 2025. Na mesma data, o governo dos Estados Unidos também removeu da lista a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e uma empresa ligada à família.
