O governo dos Estados Unidos autorizou o empréstimo temporário de uma arma militar de energia direcionada para avaliação pelo Departamento de Segurança Interna (DHS). Segundo reportagem exclusiva da CNN, o equipamento poderá ser analisado durante sete meses para desenvolver táticas de possível utilização em operações na fronteira com o México.
Conhecido como Sistema de Negação Ativa (Active Denial System, ADS), o dispositivo emite ondas eletromagnéticas que provocam uma intensa sensação de calor na pele. De acordo com informações das Forças Armadas americanas, o alcance do feixe supera 800 metros, e o efeito é comparado à sensação de se aproximar de um forno quente.
O objetivo do sistema é afastar pessoas de determinada área sem recorrer, necessariamente, a projéteis convencionais. Embora seja classificado como uma arma não letal, seu uso levanta preocupações sobre possíveis lesões e consequências indiretas.
DHS poderá desenvolver táticas de utilização
De acordo com um memorando citado pela CNN, o empréstimo do equipamento começou em setembro e terá duração de sete meses. O documento estabelece que o sistema não deverá ser operado por integrantes do Departamento de Guerra, enquanto o DHS ficará responsável pelo emprego do equipamento e pelo desenvolvimento de técnicas e procedimentos.
Ao final do período, o departamento poderá solicitar a continuidade do empréstimo, desde que apresente justificativas relacionadas às necessidades operacionais.
A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) afirmou à CNN que avalia continuamente novas tecnologias para ampliar a eficácia das operações e fortalecer suas capacidades. Questionado sobre o assunto, o Pentágono encaminhou a emissora ao DHS.
Ainda não foram divulgados detalhes sobre os locais específicos dos testes ou sobre as circunstâncias em que a arma poderia ser utilizada.
Equipamento já foi avaliado em outras ocasiões
As Forças Armadas americanas chegaram a utilizar brevemente o sistema no Afeganistão há quase duas décadas, mas decidiram não empregá-lo em operações de combate ativo. Também houve discussões internas sobre sua utilização para controlar multidões em instalações militares no exterior, sem que a proposta avançasse.
Na fronteira com o México, agentes da CBP já consideraram o equipamento como uma possível ferramenta para dispersar grupos de migrantes em áreas com grande número de travessias irregulares.
Em 2018, antes das eleições legislativas de meio de mandato, autoridades da agência também avaliaram a possibilidade de utilizar o sistema contra migrantes. Na ocasião, a então secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, rejeitou a proposta, segundo fontes ouvidas pela CNN.
Uso levanta dúvidas sobre segurança e legalidade
Entre as preocupações discutidas por autoridades estão a eficácia do equipamento, os limites legais para o uso da força e o risco de ferimentos. Também foram levantadas questões sobre soberania caso a arma fosse utilizada contra pessoas ainda em território mexicano.
Uma das preocupações envolve possíveis acidentes durante tentativas de fuga. Em entrevista à CNN, um ex-funcionário da CBP alertou para o risco de pessoas atingidas tentarem escapar pela água e acabarem se afogando.
Autoridades também questionaram se o equipamento seria necessário diante da redução das travessias irregulares e do aumento do efetivo de agentes, segundo um ex-integrante da agência citado pela emissora.
A autorização para avaliar o sistema não significa, por si só, que seu uso operacional na fronteira já tenha sido definido. A eventual adoção dependerá das avaliações realizadas e das decisões das autoridades responsáveis.
