O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, preferia a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) no Brasil, segundo Brian Winter, editor-chefe da revista Americas Quarterly. Em entrevista ao WW, o jornalista avaliou os possíveis impactos da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as relações entre Brasília e Washington.
Segundo Winter, a Casa Branca desejava um presidente brasileiro mais alinhado à agenda de Trump. O interesse, porém, não estaria restrito à afinidade ideológica, mas também envolveria iniciativas de combate ao crime organizado na América Latina.
“Eles queriam a eleição do Flávio Bolsonaro”, afirmou o especialista.
Winter citou como exemplo o chamado “Escudo das Américas”, iniciativa associada à cooperação regional no combate ao crime organizado. Na avaliação do jornalista, a preferência do governo americano refletia o interesse em contar com um parceiro mais próximo de suas prioridades políticas e de segurança.
Trump mantém respeito por Lula
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil nesta terça-feira (27), apesar da preferência atribuída à administração americana, Winter afirmou que Trump mantém uma relação cordial com Lula e respeita o presidente brasileiro como líder de uma das principais economias do mundo.
“O Trump respeita o Lula como ele respeita os líderes de grandes países importantes ao redor do mundo”, declarou.
O jornalista ponderou, contudo, que as divergências políticas acumuladas nos últimos anos podem dificultar uma aproximação mais profunda entre os dois governos. Embora exista espaço para diálogo, a cordialidade entre os presidentes não significa necessariamente convergência em temas estratégicos.
Aproximação entre Brasil e EUA pode enfrentar dificuldades
Winter também demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de uma reconciliação rápida entre Brasília e Washington. Segundo ele, assuntos sensíveis, como o acesso e a exploração de terras raras, podem exigir negociações complexas.
“Acho que vai ter que costurar alguma coisa ou talvez essa coisa vai ficar um pouco tensa”, afirmou.
Diante desse cenário, o especialista avaliou que o Brasil poderá buscar o fortalecimento de suas relações com outros parceiros internacionais, incluindo países da Europa, da Ásia e possivelmente o Canadá.
“Acho que o caminho aqui para uma reconciliação entre Washington e Brasília vai ser difícil mesmo”, concluiu Winter.
As declarações apontam para a possibilidade de uma relação diplomática marcada pelo diálogo entre os presidentes, mas também por divergências sobre prioridades políticas, segurança e interesses econômicos.