A lobista Roberta Luchsinger, apontada como sócia de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), voltou ao centro das atenções após conceder entrevista à CNN Brasil no último sábado (17). O encontro gerou expectativa diante das suspeitas investigadas pela Justiça e do possível impacto político das declarações em meio à campanha de Lula.
A relação de Roberta com integrantes do governo federal e com pessoas próximas ao presidente tem sido alvo de questionamentos. Nos últimos dias, a lobista também demonstrou sinais de distanciamento do PT. Desde o primeiro turno das eleições, segundo a publicação original, ela não fez postagens nas redes sociais em defesa da candidatura de Lula.
O presidente, por sua vez, afirmou em entrevistas que não conhece Roberta. Entretanto, mensagens de WhatsApp atribuídas à lobista mencionariam encontros com Lula, além de referências a voos em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e a registros feitos dentro do Palácio do Planalto.
Relação com Lulinha e atuação no governo
Roberta ganhou notoriedade em 2017, quando anunciou a intenção de doar bens de luxo avaliados em R$ 500 mil a Lula, iniciativa que chamou de “Bolsa Lula”. A doação acabou impedida pela Justiça em meio a uma disputa envolvendo dívidas relacionadas a uma empresa de móveis e decoração da lobista.
Em 2018, ela se filiou ao PT e concorreu a uma vaga de deputada estadual por São Paulo, mas não foi eleita.
A partir de 2023, Roberta passou a atuar na intermediação de contatos e negócios junto ao governo federal, em conjunto com Lulinha e o empresário Fernando Bittar. De acordo com mensagens divulgadas pela imprensa, os três mantinham um grupo de WhatsApp chamado “Musaranhos” e discutiam assuntos relacionados a negócios e contatos políticos.
A lobista também teria alugado uma mansão de alto padrão no Lago Sul, em Brasília, utilizada por ela e por Lulinha durante estadias na capital federal. Segundo reportagem citada no material original, Roberta gastou R$ 18 mil em bebidas para uma festa de Réveillon realizada no imóvel com a presença do filho do presidente.
Presentes e pagamentos a pessoas ligadas à Presidência
As mensagens divulgadas pela imprensa também levantaram questionamentos sobre presentes e pagamentos a pessoas próximas ao governo.
Entre os casos relatados está o de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Segundo a publicação, Roberta teria pago boletos que somavam R$ 249 mil e presenteado a esposa dele, a jornalista Nicole Briones, com joias.
Outro nome mencionado é Swedenberger Barbosa, conhecido como Berge, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde e atual chefe de gabinete adjunto da Presidência. Conforme as reportagens citadas, ele teria recebido um relógio Cartier Tank de ouro, avaliado em R$ 66 mil, além de outros presentes, como uma festa temática do Flamengo em um camarote no estádio Mané Garrincha e um quadro avaliado em R$ 83 mil.
As publicações também apontam que Berge teria encaminhado a Roberta documentos relacionados à liberação de recursos solicitados por ela ao Ministério da Saúde. As circunstâncias dessas relações precisam ser avaliadas pelas autoridades responsáveis pelas investigações.
Investigações sobre o INSS e contratos federais
Roberta entrou no radar da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes relacionadas a benefícios do INSS. A apuração envolve sua atuação ao lado do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em uma tentativa de comercializar medicamentos derivados de cannabis, como o canabidiol (CBD), para o Ministério da Saúde. A iniciativa, segundo o material original, não avançou.
A lobista também é apontada como intermediária na liberação de verbas federais para estados e municípios. Segundo as reportagens mencionadas, ela teria recebido comissões de empreiteiras com contratos com os governos beneficiados. Entre os casos citados estão o governo do Maranhão e a Prefeitura de Goiânia.
Outra frente envolve a empresa petroquímica Unigel, que teria contado com a atuação de Roberta na negociação de um empréstimo junto ao BNDES e de um contrato com a Petrobras. A lobista teria recebido pelo menos R$ 1,6 milhão para intermediar os interesses da empresa. Posteriormente, o Tribunal de Contas da União considerou o contrato com a Petrobras prejudicial e determinou sua suspensão antes do início da execução.
O que as investigações apuram sobre Lulinha
Fatos relacionados a Roberta e Lulinha são investigados em inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das principais linhas de apuração envolve suspeitas de tráfico de influência no Ministério da Saúde para viabilizar a venda de medicamentos derivados de cannabis.
A investigação também examina a relação entre Lulinha e Careca do INSS na empresa Cannabis World, ligada ao empresário. Reportagens apontam ainda que os dois viajaram juntos para Portugal e Espanha, onde Lulinha passou a residir.
Roberta teria ajudado a organizar a mudança do filho do presidente para Madri, inclusive com apoio da embaixada brasileira, conforme informações divulgadas pela imprensa.
Por que a entrevista ganhou repercussão política?
A entrevista à CNN Brasil ganhou relevância política porque Roberta é apontada como uma pessoa com acesso a integrantes do governo e mantém uma relação próxima com Lulinha, enquanto episódios associados a ambos são alvo de investigações. O contexto de desgaste com o PT também alimentou expectativas sobre o conteúdo de suas declarações.
Ainda assim, a repercussão política não significa que as suspeitas tenham sido comprovadas. A entrevista, por si só, não estabelece a ocorrência de crimes nem confirma eventual envolvimento de Lula nos fatos investigados. Para avaliar o impacto das declarações, é necessário considerar o conteúdo efetivamente apresentado na conversa com a CNN e eventuais desdobramentos das apurações.
