Independentemente de quem vença a eleição presidencial neste domingo (25), o próximo governo poderá enfrentar um cenário econômico mais complicado do que o herdado pela gestão de Dilma Rousseff (PT). A avaliação é de Gabriel Leal de Barros, economista-chefe de investimentos da ARX e ex-diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado.
Em entrevista à revista Oeste, Barros criticou a condução da política econômica do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o governo cometeu “erros sucessivos” e adotou medidas para ampliar os gastos públicos contornando limites do arcabouço fiscal, mecanismo aprovado pelo Congresso em 2023.
Na avaliação do economista, caso Lula seja reeleito, a possibilidade de avanço de uma agenda de reformas estruturais será “muito baixa”.
Reação do mercado após o primeiro turno
Barros também comentou o desempenho da Bolsa de Valores após o primeiro turno, realizado em 4 de outubro. O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, registrou altas expressivas e atingiu recordes históricos nos dias seguintes à votação, embora os investidores tenham demonstrado maior cautela com a aproximação do segundo turno.
Para o economista, o resultado eleitoral teve influência nesse movimento. Ele afirmou que a votação favorável a Flávio Bolsonaro e o desempenho da direita nas disputas para o Congresso e os governos estaduais contribuíram para o otimismo inicial dos investidores.
Segundo Barros, o cenário observado nas bolsas teria sido diferente caso o resultado do primeiro turno tivesse sido menos favorável à direita.
Críticas à política fiscal do governo Lula
O economista comparou algumas decisões da atual gestão a medidas adotadas durante o governo Dilma Rousseff. Na avaliação dele, o governo Lula teria buscado manter a economia aquecida em ano eleitoral por meio da ampliação de despesas e de mecanismos que, segundo sua análise, permitiram contornar as restrições fiscais.
Barros citou a retirada de determinadas despesas dos limites de gastos e da meta de resultado primário, além do uso de fundos públicos e de operações de crédito para abrir espaço no orçamento. Entre os exemplos mencionados estão o Fundo Social do Pré-Sal e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Ele também criticou o que classificou como uso político de empresas estatais, destacando a Petrobras, e apontou medidas de transferência de renda como parte da estratégia do governo para sustentar a atividade econômica.
Essas avaliações são do economista e refletem sua interpretação sobre a condução da política fiscal durante o atual mandato presidencial.
Economista considera arcabouço fiscal uma regra fraca
Barros afirmou que o arcabouço fiscal apresenta problemas desde sua concepção. Para ele, a regra que limita o crescimento das despesas não seria compatível com a evolução de componentes importantes do orçamento público.
O economista citou como exemplos as despesas vinculadas à política de valorização do salário mínimo e os gastos com saúde e educação. Na sua avaliação, essas obrigações podem crescer em ritmo superior ao permitido pelo limite geral de despesas, dificultando o cumprimento das metas fiscais.
Segundo Barros, parte do mercado financeiro inicialmente recebeu a regra de forma positiva porque ela estabelecia um limite de crescimento dos gastos inferior à expansão média observada em governos anteriores do PT. Com o passar do tempo, porém, a confiança no mecanismo teria diminuído.
Na avaliação do economista, a perda de credibilidade do arcabouço reforçou as dúvidas sobre a capacidade do governo de controlar as contas públicas e estabilizar a trajetória da dívida.
Perspectivas para o próximo mandato
Para Barros, a situação fiscal representa um desafio relevante para o próximo presidente, independentemente do resultado da eleição. O economista considera que será necessário enfrentar problemas estruturais das contas públicas e recuperar a confiança na política econômica.
Caso Lula conquiste a reeleição, o especialista avalia que as chances de implementação de reformas serão reduzidas. A avaliação parte da expectativa de continuidade da orientação econômica atual, que ele considera insuficiente para corrigir os desequilíbrios fiscais.
A comparação com o governo Dilma, que terminou em meio a uma grave recessão, é usada pelo economista para destacar sua preocupação com o legado econômico da atual administração. Trata-se, contudo, de uma projeção e de uma avaliação atribuída a Barros, não de um resultado econômico já estabelecido.
