A Costa Rica inaugurou, na quarta-feira (14), uma prisão de segurança máxima inspirada no modelo adotado por El Salvador para combater organizações criminosas. O Centro de Alta Contenção contra o Crime Organizado (Cacco), localizado nos arredores da capital, San José, tem capacidade para 5.100 detentos, cerca de 20% da população carcerária do país.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo nesta quinta-feira (15), a cerimônia foi conduzida pela presidente costa-riquenha, Laura Fernández, que apresentou a unidade como parte da estratégia de endurecimento contra o crime organizado. Os primeiros presos devem ser transferidos para o complexo no fim de outubro.
O projeto tem como referência o Cecot, megacomplexo penitenciário construído em El Salvador durante o governo de Nayib Bukele, conhecido pela ofensiva contra gangues criminosas.
Alta nos homicídios impulsionou medidas de segurança
A inauguração ocorre em meio ao aumento da violência na Costa Rica, país historicamente considerado um dos mais seguros da América Latina. Segundo dados judiciais citados pela reportagem da Folha de S.Paulo, o território registrou 905 homicídios em 2023, recorde histórico. Em 2024, foram 876 casos, enquanto 2025 terminou com 873 assassinatos.
As autoridades atribuem a maior parte dos crimes a disputas entre organizações criminosas pelo controle de rotas de tráfico de drogas e de mercados locais.
Durante a inauguração, Fernández afirmou que o Cacco representa uma nova abordagem para o sistema penitenciário. A presidente também declarou que os resultados da iniciativa dependerão, em parte, da capacidade do Judiciário de obter mais condenações.
O ministro da Justiça, Gabriel Aguilar, disse que a unidade integra um esforço para recuperar o controle estatal sobre as prisões, que, segundo ele, foram infiltradas pelo crime organizado.
Modelo de Bukele também recebe críticas
Embora a política de segurança de Bukele seja apontada como um dos fatores associados à expressiva redução da violência de gangues em El Salvador, organizações de direitos humanos denunciam detenções arbitrárias em massa, violações do devido processo legal e enfraquecimento de mecanismos de proteção democrática.
Na Costa Rica, o governo de Fernández também enfrenta divergências com autoridades judiciais sobre a política de segurança e cortes orçamentários. Juízes e promotores alertaram para os riscos de pressões sobre os mecanismos de equilíbrio e fiscalização entre os Poderes.
Fernández anunciou ainda que visitará El Salvador na sexta-feira (16). Recentemente, em entrevista à Reuters, a presidente defendeu uma presença maior dos Estados Unidos na área de segurança como forma de ajudar o país a enfrentar o tráfico de drogas e o crime organizado.
Atualmente, a cooperação entre os dois países está concentrada em ações de patrulhamento, investigações e esforços para extraditar líderes de organizações criminosas.
