Duas empresas especializadas em segurança digital e prevenção de crimes financeiros atribuíram ao grupo TraderTraitor, ligado à Coreia do Norte, um ataque cibernético contra a Binance, maior plataforma de criptomoedas do mundo. O roubo teria causado prejuízo estimado em US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34,16 bilhões).
A consultoria norte-americana TRM Labs associou a ação ao grupo e classificou o episódio como o maior roubo de criptomoedas já registrado. O valor estimado supera em aproximadamente quatro vezes os US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8,13 bilhões) roubados da plataforma Bybit em fevereiro de 2025, ataque também atribuído a hackers norte-coreanos.
A empresa de inteligência cibernética Pangolin Intelligence, sediada em Singapura, afirmou à agência EFE que há uma probabilidade “quase certa” de envolvimento da Coreia do Norte, especificamente do grupo conhecido como TraderTraitor ou UNC4899.
A atribuição foi baseada em análises técnicas que identificaram contas utilizadas para lavar o dinheiro do ataque à Binance e que, segundo a empresa, já haviam sido associadas a outras operações atribuídas ao mesmo grupo. Entre elas estaria o ataque à plataforma Bitget, em setembro de 2026.
A Bitget relatou o roubo de aproximadamente US$ 351,6 milhões (cerca de R$ 1,9 bilhão). A agência sul-coreana Yonhap também divulgou a análise da TRM Labs sobre o possível envolvimento de hackers norte-coreanos no caso da Binance. Até o momento mencionado nos relatos, autoridades da Coreia do Sul e o governo norte-coreano não haviam se pronunciado.
Binance aponta possível invasão a computador de engenheiro
Em comunicado publicado em seu site, a Binance informou que as investigações preliminares indicam que os invasores podem ter comprometido o computador portátil de um engenheiro de operações. A partir desse acesso, teriam conseguido entrar em um dos sistemas da plataforma e realizar saques de fundos sem autorização.
O grupo TraderTraitor foi identificado pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, em abril de 2022, como uma ameaça cibernética patrocinada pela Coreia do Norte. Segundo o órgão, o grupo atua pelo menos desde 2020 e utiliza aplicativos maliciosos disfarçados de ferramentas de previsão de mercado para atingir o setor de criptomoedas.
Em 2025, Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão acusaram a Coreia do Norte de roubar cerca de US$ 659 milhões em criptomoedas durante 2024, em operações que, segundo os países, ajudariam a financiar o programa militar de Pyongyang.
Fundada em 2017, em Xangai, pelo empresário Changpeng Zhao, a Binance transferiu suas operações para fora da China após as restrições impostas naquele ano ao comércio de criptomoedas. Atualmente, a empresa atua internacionalmente sem uma sede central única.
FONTE: Pleno News
