O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria discutiu com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e outros integrantes de um grupo de WhatsApp a realização de um encontro em Trancoso, na Bahia. Em um áudio enviado em agosto de 2025, Faria afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes não participaria do evento.
“Só não vai o careca”, disse Faria, segundo reportagem de O Globo. O grupo também reunia o senador Ciro Nogueira (PP) e o deputado Hugo Motta (Republicanos).
A gravação foi enviada em 22 de agosto de 2025, durante uma conversa sobre a comemoração do aniversário do ex-ministro. Ao sugerir um encontro no fim de semana de 7 de setembro, Faria afirmou que a ausência de Moraes poderia ser positiva diante do contexto daquele momento.
“Se vocês toparem, no fim de semana, no dia 7 [de setembro], Trancoso está de pé. Só não vai o careca, que eu acho que é até bom, né? Nesse momento agora eu acho que era muito risco pra ele. Mas podemos ir nós, o que é que vocês acham?”, afirmou.
Dois dias antes, Faria havia compartilhado no mesmo grupo uma notícia sobre a apreensão dos celulares do pastor Silas Malafaia por determinação de Moraes. Nas semanas seguintes, o ministro participaria do julgamento que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
As mensagens integram um relatório da Polícia Federal produzido a partir da análise do celular de Vorcaro e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.
Convites para festa privada em São Paulo
Reportagem da revista piauí, publicada no mês anterior, apontou que mensagens encontradas no celular de Vorcaro indicam que Fábio Faria ajudou o banqueiro a convidar autoridades para uma festa privada de Halloween, realizada em São Paulo, em outubro de 2023.
Segundo a defesa do ex-ministro, Faria apenas repassou os convites a pedido do anfitrião. Entre os nomes mencionados estavam os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco, além do ministro do STF Dias Toffoli.
Os advogados afirmaram que Faria conhecia Vorcaro havia apenas 15 dias na ocasião e sustentaram que agendas oficiais e registros de voos podem comprovar que os convidados não compareceram ao evento.