Dez candidatos que haviam assinado a Carta-Compromisso com as Mulheres e Crianças Brasileiras, elaborada pela Associação Matria para as eleições de 2026, solicitaram a retirada de seus nomes do documento.
Entre os casos estão dois candidatos do PT: Ana Júlia Ribeiro, candidata a deputada federal pelo Paraná, e Prof. Jocelino Júnior, candidato a deputado estadual pelo Espírito Santo.
Ana Júlia afirmou que a adesão ocorreu por um erro de sua assessoria. Jocelino Júnior, por sua vez, declarou que não havia autorizado a assinatura e classificou o episódio como um “equívoco inadmissível”.
O que prevê a carta
Lançada em 5 de agosto, a Carta-Compromisso reúne oito compromissos relacionados à proteção de mulheres e crianças. Entre eles estão a defesa de espaços destinados às mulheres com base no sexo, incluindo banheiros, vestiários, alojamentos, presídios e casas de acolhimento.
O documento também propõe a preservação das categorias esportivas femininas, políticas de acompanhamento multidisciplinar para crianças e adolescentes e liberdade acadêmica e de expressão para profissionais que discutam questões relacionadas a sexo, direitos das mulheres e políticas públicas.
Outros pontos tratam do combate à violência contra mulheres e meninas, da participação de organizações de mulheres na formulação de políticas públicas e da produção de estatísticas separadas por sexo.
Matria mantém nomes na relação
Apesar dos pedidos de retirada, a Matria afirma que os nomes continuam registrados em seus materiais. A associação sustenta que a adesão inicial permanece como parte do histórico de apoio ao documento, enquanto a relação de signatários é atualizada continuamente.
A entidade também publicou, em 26 de setembro, uma carta dirigida a partidos de esquerda na qual afirmou haver mobilizações para pressionar candidatos a retirar suas assinaturas. A Matria classificou essas ações como pressão política e defendeu o direito de candidatos assumirem os compromissos previstos no documento.
A lista da associação é suprapartidária. Em levantamento divulgado pela própria entidade, havia candidatos de diferentes legendas entre os signatários, incluindo PT, PL, Novo, PCO, Missão, Podemos, PDT, PSDB, MDB, PP, PSD, Republicanos e outras siglas.
O episódio ocorre às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026 e envolve uma carta cujo conteúdo passou a provocar divergências entre candidatos e setores partidários.
