A campanha de Raquel Lyra (PSD) acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) após identificar, segundo seu próprio levantamento, uma rede de 987 perfis considerados falsos ou de identidade não verificável no Instagram.
De acordo com a coligação, as contas estariam sendo utilizadas de forma coordenada para atacar a candidata e divulgar conteúdos favoráveis ao adversário João Campos (PSB). A acusação ainda será analisada pela Justiça Eleitoral.
Rede teria sido criada às vésperas da eleição
Os 987 perfis foram catalogados pela campanha entre maio e 1º de outubro de 2026. Parte das contas já teria sido retirada do ar.
Em uma análise dos 15 dias anteriores a 1º de outubro, a coligação afirma ter identificado 184 contas que permaneciam ativas e haviam realizado comentários. Dessas, 174 teriam sido criadas em setembro, enquanto aproximadamente 72% teriam alterado o nome de usuário.
A campanha argumenta que o comportamento das contas indicaria uma ação coordenada, especialmente pela combinação de perfis recentes, privados e com poucas informações públicas.
Quase 3,5 mil comentários após debate
Um dos episódios apresentados no relatório ocorreu após o debate da TV Globo.
Segundo a coligação, 151 contas recém-criadas publicaram 3.488 comentários em 52 publicações de 18 páginasdurante a madrugada seguinte ao debate.
A análise apresentada pela campanha aponta ainda que cerca de 85% dos comentários utilizavam 159 frases repetidas, o que, na avaliação dos advogados, seria um indício de atuação sincronizada.
A coligação afirma que pretende identificar quem estaria por trás das contas e verificar se houve eventual coordenação ou financiamento da atividade digital.
O que a campanha pede ao TRE
Na petição, a coligação solicita que o TRE-PE determine ao Instagram a preservação das contas investigadas, além de comentários, respostas e curtidas associados aos perfis.
Também foi solicitada a identificação dos titulares de 219 contas e a suspensão temporária de alguns dos perfis citados.
O objetivo, segundo a campanha, é evitar que as contas sejam apagadas antes que os dados possam ser analisados pela Justiça Eleitoral.
Disputa digital chega à Justiça
A ofensiva ocorre em meio a uma série de acusações envolvendo o uso de redes sociais na disputa pelo governo de Pernambuco. A coligação de Raquel Lyra já havia ingressado com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra João Campos e outros envolvidos, pedindo apuração sobre possíveis abusos de poder e uso indevido dos meios de comunicação.
O cenário também inclui uma investigação da Polícia Federal sobre uma suposta estrutura digital ligada ao governo estadual. Na sexta-feira (2), o ministro Edson Fachin determinou o envio do inquérito ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), por entender que a apuração envolve principalmente questões eleitorais regionais e que o STF não seria o foro adequado para conduzi-la. A existência de irregularidades ainda é objeto de investigação.
No caso dos 987 perfis, caberá ao TRE-PE analisar os pedidos apresentados pela campanha e decidir sobre as medidas solicitadas.
