A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende concentrar esforços na redução da abstenção no segundo turno e preparar mensagens direcionadas a diferentes grupos de eleitores. Segundo informações do entorno do petista, a estratégia será baseada na ideia de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) poderia ameaçar a continuidade de programas sociais.
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil nesta quarta-feira (07), o plano mira principalmente regiões metropolitanas do Sul e do Sudeste, onde a campanha identificou índices elevados de abstenção no primeiro turno. A avaliação dos aliados de Lula é que aumentar a participação desses eleitores pode ser decisivo para a disputa.
No primeiro turno, a abstenção ficou em 21%.
Estratégia retoma discurso usado pelo PT
A campanha pretende recuperar uma estratégia utilizada pelo PT em eleições anteriores, especialmente na disputa presidencial de 2014.
Naquele ano, a então presidente Dilma Rousseff explorou, durante a campanha, a ideia de que políticas econômicas poderiam afetar diretamente a alimentação e o orçamento das famílias. No segundo turno, o discurso passou a questionar o compromisso do então candidato Aécio Neves (PSDB) com a manutenção de programas sociais implantados durante os governos petistas.
Agora, os estrategistas de Lula avaliam adaptar esse tipo de abordagem para diferentes públicos.
Ministros devem atuar nas periferias
Lula pediu que ministros do governo participem da mobilização em periferias de grandes cidades do Sul e do Sudeste. A intenção é levar mensagens específicas de acordo com o perfil dos eleitores e as políticas públicas consideradas mais relevantes para cada grupo.
Para os idosos, a campanha pretende destacar o Farmácia Popular, argumentando que o programa teria sido reduzido durante o governo Jair Bolsonaro e poderia sofrer novos impactos caso Flávio Bolsonaro fosse eleito.
Entre as mães, o foco deverá ser a merenda escolar, com a campanha destacando a política de alimentação nas escolas.
Já entre agricultores familiares e cooperativistas, o discurso deverá enfatizar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), apresentado como uma ferramenta de compra da produção e sustentação dos preços.
Bolsa Família perde espaço na estratégia
De acordo com estrategistas ligados à campanha, o Bolsa Família atualmente teria menor capacidade de mobilização eleitoral do que em disputas anteriores. Por isso, a equipe pretende ampliar o discurso para outras políticas públicas e programas sociais.
A avaliação é que mensagens específicas para determinados grupos podem ajudar a convencer eleitores que deixaram de votar no primeiro turno a comparecer às urnas na segunda etapa.
A campanha de Lula busca, dessa forma, transformar a preocupação com a continuidade de políticas públicas em um argumento para aumentar a participação eleitoral e reduzir a abstenção nas regiões onde o comparecimento foi menor.
