A coligação Brasil Pronto pra Mais, que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acionou novamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp. A aliança acusa as plataformas de restringir o alcance de publicações ligadas à campanha petista e favorecer conteúdos associados à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). As alegações foram apresentadas em uma petição protocolada nesta quarta-feira (14).
No documento, a coligação aponta uma suposta “seletividade algorítmica” na distribuição de conteúdo e questiona o funcionamento da Meta AI, ferramenta de inteligência artificial disponível no WhatsApp. Segundo a campanha, testes indicaram que a ferramenta recusava pedidos para produzir imagens de propaganda eleitoral relacionadas a Lula, mas atendia a solicitações semelhantes envolvendo Flávio Bolsonaro.
A aliança classifica a situação como uma possível interferência na igualdade de oportunidades entre os candidatos. Por isso, pede medidas urgentes para interromper as restrições que afirma sofrer, remover perfis considerados inautênticos e recompor, em dobro, o alcance que alega ter perdido.
CAMPANHA APRESENTA DADOS DE VISUALIZAÇÕES
Para sustentar a denúncia, a coligação apresentou dados sobre o desempenho de publicações no Instagram. Segundo o levantamento citado na petição, entre 1º e 7 de outubro, os Reels publicados no perfil de Flávio Bolsonaro registraram média de 15,64 milhões de visualizações, enquanto os vídeos de Lula tiveram média de 5,91 milhões.
O documento também compara o número de seguidores dos dois candidatos. Conforme os dados apresentados, Flávio tinha cerca de 13,6 milhões de seguidores, ante aproximadamente 16,4 milhões de Lula. Mesmo com uma base menor, o perfil do senador teria alcançado médias superiores de visualizações e interações no período analisado.
Outro exemplo citado pela coligação envolve o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), apoiador de Flávio. Segundo a petição, um vídeo publicado pelo parlamentar alcançou 56,1 milhões de visualizações no Instagram, enquanto a mesma publicação registrou 396,4 mil visualizações no TikTok. Para os advogados da campanha petista, as diferenças justificam a solicitação de esclarecimentos sobre os critérios usados pelas plataformas para recomendar e distribuir conteúdos.
META ALEGA FALHA TÉCNICA EM CASO ANTERIOR
A nova ação ocorre após a coligação já ter acionado o TSE por suspeitas de restrição algorítmica às publicações de Lula. Em resposta a uma cobrança anterior, a Meta atribuiu oscilações nas visualizações registradas em 7 de outubro a uma falha técnica global que, segundo a empresa, afetou criadores de conteúdo em mais de cem países. A companhia afirmou que o problema atingiu a exibição das métricas, mas não alterou a distribuição das publicações.
A empresa também contestou a suficiência das provas apresentadas pela coligação e afirmou aplicar de maneira uniforme as regras eleitorais relacionadas à recomendação de perfis oficiais de candidatos.
Sobre a nova petição, a Meta ainda não havia respondido ao pedido de comentário do SBT News até a publicação da reportagem. As acusações de favorecimento seguem como alegações da campanha, e os dados apresentados pela coligação, por si só, não comprovam manipulação na distribuição dos conteúdos.
