Um áudio obtido pela revista VEJA revela que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, estaria receoso de continuar colaborando com as autoridades e apresentar novas informações sobre o caso. Na gravação, sua irmã, Natália Vorcaro Zettel, afirma que o banqueiro teme ser transferido novamente para um presídio de segurança máxima e estaria abalado com a repercussão de reportagens recentes.
“Ele está em pânico”, afirma Natália no áudio divulgado pela publicação. Segundo ela, o irmão teme voltar à Penitenciária Federal de Brasília, onde teria permanecido por 13 dias antes de ser transferido para a chamada Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília.
A irmã relata que Vorcaro considera ter passado por condições extremas durante a estadia anterior, mencionando falta de água, comida e contato com o exterior, além de luzes acesas continuamente. Essas declarações são atribuídas a Natália e não constituem, por si só, comprovação independente das condições relatadas.
Vorcaro prepara nova tentativa de delação
Preso desde março, o ex-banqueiro trabalha com seus advogados em uma nova proposta de colaboração premiada. Segundo a reportagem, ele pretende apresentar uma confissão abrangente, acompanhada de provas e informações sobre pessoas que, segundo ele, teriam recebido vantagens indevidas relacionadas a negócios do Banco Master.
As duas tentativas anteriores de delação foram rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que consideraram insuficiente a consistência das informações apresentadas.
De acordo com a VEJA, pessoas que tiveram contato com Vorcaro na prisão perceberam aumento no nível de estresse do ex-banqueiro nos últimos dias. A publicação relaciona a mudança à repercussão de reportagens que divulgaram áudios e documentos atribuídos a ele.
No material, Vorcaro teria relatado pagamentos relacionados a um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dirigido por Oliver Stone, e ao Instituto Lula. Segundo a versão apresentada pelo ex-banqueiro, os valores estariam relacionados à busca por acesso a fundos de pensão de empresas estatais. Os citados nas denúncias negaram o conteúdo revelado, conforme a reportagem.
Irmã diz que banqueiro pode adiar revelações
No áudio, Natália afirma ter tentado tranquilizar o irmão diante da repercussão das notícias. Ela também relata que Vorcaro ficou incomodado com uma reportagem do UOL sobre uma suposta ligação dele com uma rede de prostituição, acusação que ele nega.
Segundo a irmã, o ex-banqueiro teria demonstrado receio de continuar fornecendo informações e dito que preferia esperar o fim das eleições antes de revelar novos dados.
A reportagem também informa que Vorcaro considera que as autoridades não estariam dando a devida atenção às informações que pretende apresentar. A expectativa dele, segundo a publicação, seria obter benefícios judiciais por meio de uma colaboração que detalhasse os crimes investigados e apresentasse provas.
Família enfrenta dificuldades jurídicas
Além de Daniel Vorcaro, o cunhado dele, Fabiano Zettel, também está preso no contexto das investigações. O pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro, foi preso em maio, acusado de envolvimento em crimes como fraude, estelionato e lavagem de dinheiro.
Natália, advogada, participa da administração da defesa da família. Ela também enfrenta dificuldades pessoais após complicações médicas em um parto de gêmeas prematuras, ocorrido sete meses antes, segundo a reportagem. O texto afirma que o pai das crianças ainda não havia conseguido conhecê-las e que pedidos para alterar o regime de prisão de Fabiano foram negados pela Justiça.
Perícia analisou áudios atribuídos ao ex-banqueiro
Após a divulgação de gravações atribuídas a Vorcaro, houve questionamentos sobre a autenticidade do material. Um dos advogados do ex-banqueiro confirmou que a voz era dele, segundo a VEJA.
A revista informou ainda ter submetido cinco arquivos a uma perícia técnica. Conforme o laudo citado na reportagem, os exames foram compatíveis com a hipótese de que a voz era de Vorcaro e não identificaram indícios técnicos de edição, montagem ou manipulação por inteligência artificial.
As informações divulgadas integram reportagens sobre as investigações envolvendo o Banco Master. As alegações atribuídas a Vorcaro e a terceiros ainda precisam ser avaliadas pelas autoridades competentes, e a existência de denúncias ou propostas de delação não equivale à comprovação judicial de todos os fatos relatados.
