Integrantes da cúpula da Secretaria de Estado da Fazenda do Rio Grande do Norte (Sefaz-RN) receberam R$ 4,43 milhões em indenizações de transporte entre 2020 e março de 2026. Os pagamentos ocorreram durante o período em que a pasta foi comandada por Carlos Eduardo Xavier, conhecido como Cadu de Lula (PT), que é candidato ao Governo do Estado.
Levantamento publicado pelo Agora RN, com base em dados do Portal da Transparência, identificou repasses a 22 integrantes da direção da secretaria ao longo do período analisado.
Cadu recebeu R$ 217.271,18 em indenizações. Somente em 2025, os pagamentos destinados a ele somaram R$ 97.797,92, o equivalente a uma média mensal de R$ 8.149,83, além da remuneração regular.
Pagamentos cresceram após regulamentação
A indenização de transporte tem como finalidade ressarcir servidores por deslocamentos profissionais realizados com veículos particulares. O benefício já existia, mas foi regulamentado em 2022 por meio de uma portaria assinada por Cadu, que à época ocupava o cargo de secretário de Tributação.
Conforme os dados levantados, os pagamentos aos 22 integrantes da direção aumentaram nos anos seguintes. Em 2022, o total foi de R$ 234,9 mil. Em 2023, chegou a R$ 795,3 mil. No ano seguinte, alcançou R$ 1,43 milhão e, em 2025, atingiu R$ 1,68 milhão.
Entre os maiores valores acumulados no período estão os de Jane Carmem Carneiro e Araújo, com R$ 305,5 mil; Álvaro Luiz Bezerra, atual secretário da Fazenda, com R$ 245,9 mil; e Cristiana Lima de Carvalho, com R$ 202,2 mil.
Relatos levantam dúvidas sobre os deslocamentos
Segundo a reportagem do Agora RN, relatos internos questionam a comprovação das viagens que justificaram os pagamentos e levantam suspeitas de que a verba possa ter sido utilizada como complemento salarial. Também há dúvidas sobre a possibilidade de terem ocorrido deslocamentos com veículos oficiais.
Esses questionamentos, porém, não comprovam a existência de irregularidades. A verificação depende da análise dos relatórios de deslocamento, das autorizações administrativas e dos documentos que fundamentaram os ressarcimentos.
Sefaz e campanha não responderam
A Secretaria de Estado da Fazenda e a campanha de Cadu não responderam aos pedidos de manifestação encaminhados pela reportagem.
O Agora RN informou ter formalizado uma solicitação por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). O prazo para resposta pode chegar a 30 dias, considerando eventual prorrogação.
Até que os documentos sejam analisados e os órgãos responsáveis se manifestem, permanecem pendentes os esclarecimentos sobre a comprovação dos deslocamentos e os critérios utilizados para autorizar os pagamentos.