Pessoas próximas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro confirmaram à CNN Brasil que a voz presente em um áudio divulgado pela revista Veja é dele. Na gravação, Vorcaro relata supostas tratativas com interlocutores ligados ao governo para financiar um filme sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo as fontes, porém, o conteúdo não integrou um depoimento formal prestado às autoridades.
De acordo com os relatos feitos à CNN, os aliados de Vorcaro afirmam não saber quando nem em quais circunstâncias a gravação foi produzida. Eles levantam a possibilidade de que o áudio tenha sido registrado clandestinamente, citando uma distorção no início do material que, na avaliação dessas fontes, poderia indicar a presença de uma terceira pessoa no ambiente. Ainda segundo o entorno do ex-banqueiro, a gravação teria sido feita depois da prisão dele, em 17 de novembro de 2025.
ÁUDIO NÃO FEZ PARTE DE DEPOIMENTO FORMAL
A divulgação do material reacendeu questionamentos sobre a proposta de delação premiada apresentada pela defesa de Vorcaro. Segundo informações publicadas pela CNN Brasil, a Polícia Federal rejeitou as propostas por considerar insuficientes os elementos apresentados para conferir credibilidade às declarações.
A Procuradoria-Geral da República também informou que não houve depoimento oral de Vorcaro durante as tratativas. Segundo a instituição, as negociações foram conduzidas por meio dos advogados do investigado, sem interlocução direta entre ele e representantes da PGR.
O entorno de Vorcaro sustenta que o conteúdo da gravação ajuda a compreender o contexto em que a colaboração foi discutida. As fontes também rejeitam a hipótese de um suposto acordo político pelo qual o ex-banqueiro ajudaria a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em troca de benefícios judiciais ou da liberdade. Essa interpretação, contudo, representa a posição dos interlocutores ouvidos pela CNN e não comprova a existência ou inexistência de articulações desse tipo.
FINANCIAMENTO DE FILME É ALVO DE CONTROVÉRSIA
A revista Veja publicou o áudio e documentos que, segundo a reportagem, indicariam pagamentos de cerca de R$ 30 milhões em espécie relacionados a um documentário sobre Lula e ao Instituto Lula. As alegações ainda são objeto de controvérsia, e a divulgação da gravação, por si só, não comprova que os pagamentos tenham ocorrido nos termos relatados.
A campanha de Lula classificou como falsa a existência do suposto depoimento descrito na reportagem, enquanto a Polícia Federal afirmou que as propostas de delação foram recusadas por falta de elementos mínimos de credibilidade. Até o momento, as informações divulgadas não permitem tratar as alegações contidas no áudio como fatos comprovados.
