A defasagem no preço do óleo diesel vendido nas refinarias da Petrobras atingiu 108%, equivalente a uma diferença de R$ 3,53 por litro em relação à paridade internacional. O dado consta em levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) e reflete a pressão provocada pela alta contínua das cotações do petróleo no mercado internacional.
O cenário aumenta a expectativa de reajuste nos preços praticados pela estatal após o período eleitoral. Analistas do mercado financeiro e representantes do setor produtivo avaliam que a diferença entre os valores internos e internacionais amplia a pressão por uma atualização dos preços nas refinarias.
Segundo as informações divulgadas, o diesel comercializado pela Petrobras está há 145 dias sem reajuste. Durante esse período, as cotações internacionais do combustível acumularam valorização aproximada de 70%, ampliando a distância entre os preços praticados no Brasil e os valores de referência do mercado externo.
A defasagem também ultrapassou o valor previsto na subvenção governamental, fixada em R$ 3,52 por litro. Com a diferença chegando a R$ 3,53, o mecanismo de apoio deixou de cobrir integralmente o descompasso apontado pelo levantamento.
A pressão sobre os preços dos combustíveis pode ter consequências para diferentes setores da economia, especialmente o transporte rodoviário de cargas, que depende diretamente do diesel. Caso haja reajuste nas refinarias, os efeitos sobre os valores cobrados nos postos dependerão também das margens de distribuição e revenda, dos custos logísticos e das condições de mercado.
Apesar da expectativa de aumento, a defasagem não significa que um reajuste seja automático ou que já exista uma data definida para a mudança. A decisão depende da política comercial da Petrobras e de eventuais anúncios oficiais da companhia.
