O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, alertou nesta segunda-feira (12) que o país enfrenta uma “guerra nas sombras” com objetivos de desestabilização que, segundo ele, vão muito além dos observados durante a Guerra Fria. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa da agência de inteligência interna alemã, a BfV, em Berlim.
“A guerra nas sombras que testemunhamos hoje tem um objetivo que vai muito além de qualquer coisa vista durante a Guerra Fria”, afirmou Dobrindt. Segundo o ministro, a intenção é “desestabilizar-nos de forma fundamental”. Ele não citou diretamente a Rússia ao fazer as declarações.
O alerta ocorre em meio ao aumento das preocupações do governo alemão com ameaças à segurança nacional e possíveis ações clandestinas de países estrangeiros. Neste mês, o chefe do serviço de inteligência externa da Alemanha, o BND, também advertiu para o risco de o país entrar em um conflito violento com Moscou.
A pressão por mudanças na estrutura de inteligência aumentou após uma tentativa de ataque com um drone carregado de explosivos em um aeroporto alemão, em agosto. Na ocasião, autoridades da Alemanha atribuíram o episódio à Rússia.
Diante desse cenário, o governo defende uma reforma para ampliar os poderes dos serviços de inteligência, incluindo a possibilidade de adotar medidas defensivas ativas. A proposta passou por uma primeira leitura parlamentar em setembro e está em análise nas comissões do Parlamento.
“ A Alemanha não pode ser um ator de segunda ou terceira categoria no que diz respeito ao desenvolvimento de serviços e capacidades; precisamos permanecer na vanguarda, dados os desafios que enfrentamos”, declarou Dobrindt.
Criados após a Segunda Guerra Mundial, os serviços de inteligência alemães foram estruturados sob regras rigorosas, em parte devido ao legado do regime nazista. Por isso, tradicionalmente operam com restrições legais mais amplas do que as impostas a órgãos equivalentes de países como França, Reino Unido e Estados Unidos.
A discussão sobre a reforma coloca em debate como ampliar a capacidade de resposta do país a ameaças externas sem enfraquecer os mecanismos legais de controle sobre a atuação dos serviços de inteligência.
