O ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria informado a diretores do Banco Central (BC) que possuía seis rotas de fuga para escapar de uma eventual prisão pela Polícia Federal (PF). A informação consta em depoimento prestado à PF, em julho de 2026, por Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-chefe adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do órgão regulador.
Segundo o depoimento, a informação foi repassada por Ailton de Aquino, então diretor de Fiscalização do BC, nas primeiras horas da manhã de 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi detido e a liquidação do Banco Master foi oficialmente decretada.
Às 6h30 daquele dia, Ailton teria enviado uma mensagem comunicando a prisão de Vorcaro e de Augusto Lima, além de alertar para a necessidade de monitoramento da liquidez do Banco de Brasília (BRB). Na mesma mensagem, o diretor teria mencionado as supostas seis rotas de fuga do empresário.
Questionado pelo delegado federal Albert de Moura, Paulo Sérgio confirmou que a declaração havia sido direcionada ao grupo de diretores e técnicos.
“Se ele tem seis rotas, com certeza a Polícia Federal tem tudo isso mapeado”, avaliou Paulo Sérgio na ocasião.
PF identificou possíveis planos de fuga
Nas investigações do chamado “Caso Master”, a Polícia Federal identificou que Vorcaro mantinha pelo menos três voos preparados para deixar o país.
No dia da operação, os investigadores também mapearam contatos do banqueiro com Paulo Sérgio e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária.
Ainda em 17 de novembro, Vorcaro se reuniu com Ailton de Aquino para tentar viabilizar a venda do Banco Master ao Grupo Fictor. A tentativa, porém, não avançou.
Naquela noite, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Segundo as informações do caso, ele se preparava para embarcar com destino a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
