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Início Brasil

URGENTE: PF estava investigando o ministro Mendonça paralelamente

Por Junior Melo
04/set/2026
Em Brasil, STF
Foto: Sérgio Lima/Poder360

Foto: Sérgio Lima/Poder360

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A Polícia Federal produziu relatórios de inteligência para analisar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça em investigações sob sua relatoria. O material, com cerca de 50 páginas, foi elaborado paralelamente às apurações conduzidas pelo ministro e posteriormente encaminhado ao também ministro Alexandre de Moraes.

Os documentos fazem uma análise crítica de decisões e da atuação de Mendonça, principalmente nas operações Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos de benefícios previdenciários do INSS, e Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas ao Banco Master.

Entre os pontos avaliados estão os critérios probatórios adotados pelo ministro, o tempo utilizado para analisar medidas solicitadas pela PF e sua relação com outros integrantes do Supremo e com atores políticos. Os relatórios também levantam hipóteses sobre possíveis motivações para determinadas condutas.

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O material foi produzido antes da decisão de terça-feira (1º.set.2026), quando Mendonça retirou o sigilo de peças da investigação do Banco Master que mostravam uma relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Após a decisão, Moraes afirmou ter tomado conhecimento da existência dos relatórios de inteligência e determinou que a PF encaminhasse o material ao seu gabinete por meio do inquérito 4.781, conhecido como inquérito das fake news.

Segundo informações divulgadas sobre o documento, trata-se de um material em papel, sem timbre da PF, sem assinatura e sem indicação da data exata de envio a Moraes. Por se tratar de relatório de inteligência, seu conteúdo trabalha com hipóteses e avaliações e não possui, por si só, o mesmo caráter de uma peça de instrução processual ou de uma prova judicial.

Nesta quinta-feira (3.set.2026), Moraes utilizou informações dos relatórios para sustentar uma decisão na qual afirmou haver “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça na condução das operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Moraes pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, que adotasse providências. Fachin abriu um procedimento e determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestassem informações.

Alcolumbre aparece como “provável alvo estratégico”

Uma das avaliações de caráter político presentes nos relatórios envolve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Segundo o documento, Alcolumbre seria um “provável alvo estratégico”, levando em consideração sua força política, o favoritismo para permanecer na presidência do Senado e o controle da pauta da Casa, especialmente em relação ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do STF.

Os analistas também levantaram a hipótese de que Mendonça poderia enxergar no presidente do União Brasil, Antonio Rueda, uma “rota de acesso” a Alcolumbre.

O relatório relaciona essa possibilidade à resistência de Alcolumbre à indicação de Mendonça para o STF durante o governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo o documento, o senador teria representado um “grande empecilho” à indicação.

O próprio relatório, contudo, trata essa conclusão como uma hipótese de inteligência. O documento não afirma ter comprovado que Mendonça tenha utilizado uma investigação sobre Rueda para atingir Alcolumbre.

IMAGEM: PODER 360

Relatório compara tratamento dado a Moraes e Toffoli

Outro ponto analisado pelos agentes da PF foi a maneira como Mendonça teria reagido a informações envolvendo ministros do STF.

Segundo o relatório, os analistas identificaram diferenças na postura atribuída a Mendonça em relação a Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

No caso de Moraes, o documento aponta suposto interesse do relator na abertura de uma investigação formal. Em relação a Toffoli, os analistas registraram “contemporização da parte do relator, apesar dos graves elementos de prova já encaminhados pela Polícia Federal ao STF”.

O relatório, porém, faz uma ressalva: embora a diferença de tratamento pudesse ser observada documentalmente, sua causa não estaria demonstrada. Portanto, o documento não comprova que Mendonça tenha favorecido Toffoli ou perseguido Moraes.

IMAGEM: PODER 360

PF compara prazos de decisões de Mendonça

Os relatórios também analisaram o tempo levado por Mendonça para apreciar diferentes medidas.

Em uma seção intitulada “Assimetria nos prazos de apreciação”, os agentes compararam casos envolvendo Jaques Wagner (PT-BA), Ciro Nogueira (PP-PI) e Cláudio Castro (PL-RJ), além de uma cautelar relacionada ao Instituto de Previdência de Maceió.

Uma medida relacionada a Wagner foi apresentada em 8 de junho de 2026 e decidida em 17 de junho, nove dias depois. No caso de Ciro Nogueira, o intervalo foi de 29 dias, entre 7 de abril e 6 de maio.

Uma medida envolvendo Cláudio Castro levou 75 dias, entre 11 de março e 25 de maio. Outra, que tinha parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), levou 46 dias, entre 30 de maio e 15 de julho.

Já uma cautelar relacionada ao Instituto de Previdência de Maceió, apresentada em 9 de junho, permanecia pendente em 1º de agosto, mais de 53 dias depois.

A PF avaliou que “a dispersão é expressiva” e apontou uma possível correlação entre o tempo de análise e o perfil do investigado. O relatório, entretanto, ressalva que a amostra é pequena e não controlada e que fatores como a complexidade dos casos e intervalos atribuíveis à PGR podem influenciar os prazos.

Relatório registra críticas a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet

Os documentos também analisam decisões de Mendonça que, segundo os relatórios, teriam afetado o funcionamento interno da Polícia Federal.

Um dos capítulos aborda suposta “interferência na organização interna e na gestão de pessoal”, incluindo determinações relacionadas às equipes responsáveis pelas investigações, ao fluxo de informações entre investigadores e a direção da corporação e ao tratamento de dados obtidos nas apurações.

O material também registra atritos atribuídos a Mendonça com integrantes da cúpula da PF.

Segundo os relatórios, o ministro teria afirmado em reuniões que Andrei Rodrigues mantinha uma “proximidade inadequada” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento também relata que Mendonça teria mencionado a existência de um procedimento no qual era avaliado um eventual afastamento do diretor-geral da PF.

Em relação a Paulo Gonet, os analistas registraram que, segundo a avaliação atribuída a Mendonça, a proximidade do procurador-geral com o ministro Gilmar Mendes o tornaria “indigno de confiança”. O documento também afirma que Mendonça teria indicado a possibilidade de arrolar Gonet como testemunha em processos derivados das operações.

Essas informações são descrições constantes nos relatórios de inteligência e não representam, por si só, comprovação das acusações ou das motivações atribuídas ao ministro.

Relatórios comparam operações Sem Desconto e Banco Master

Outra parte do material busca identificar se Mendonça teria adotado padrões diferentes ao analisar investigações distintas.

Um dos relatórios compara procedimentos adotados na operação Sem Desconto e na investigação envolvendo o Banco Master. A análise identifica uma “variação relevante no patamar de exigência probatória aplicado” em situações examinadas pelos agentes.

Os documentos comparam as informações disponíveis, as medidas autorizadas e os requisitos considerados necessários para o avanço das investigações.

Mais uma vez, os analistas não apresentam uma conclusão definitiva sobre a causa das diferenças. O objetivo indicado é identificar padrões e avaliar hipóteses.

Inquérito das Fake News

O inquérito das fake news, de número 4.781, foi aberto pelo STF em 14 de março de 2019 por determinação do então presidente da Corte, Dias Toffoli, que designou Alexandre de Moraes como relator.

A abertura ocorreu de forma diferente do procedimento tradicional de distribuição de processos no Supremo, já que Moraes foi indicado diretamente por Toffoli. O inquérito permanece em tramitação e sob sigilo.

Em abril de 2026, o ministro Gilmar Mendes afirmou sobre a investigação:

“Tenho a impressão de que o inquérito continua necessário e vai acabar quando terminar. É preciso que isso seja dito em alto e bom som. O Tribunal vem sendo vilipendiado. [ … ] Foi um momento importante abrir o inquérito e mantê-lo até as eleições”.

O conteúdo dos relatórios utilizados por Moraes para questionar a atuação de Mendonça permanece no campo das avaliações de inteligência. As conclusões apresentadas pelos agentes não equivalem, por si só, a provas de ilícitos ou à comprovação das motivações atribuídas ao ministro.

Com informações de Poder 360

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