O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o levantamento do sigilo de investigações relacionadas ao caso do filme Dark Horse e de outras apurações que envolvem políticos como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Jaques Wagner (PT-BA), o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A decisão foi tomada após um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), que solicitou a divulgação de documentos de 18 procedimentos relacionados às investigações do Banco Master. Mendonça, porém, ampliou o alcance da medida e incluiu outros 21 procedimentos, totalizando 39 investigações com documentos que passaram a ter o sigilo levantado.
Entre os casos está a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, que envolve Flávio Bolsonaro. O senador é investigado por suspeitas relacionadas a possíveis crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no contexto de repasses realizados pelo empresário Daniel Vorcaro para o projeto. Flávio nega irregularidades e defende a divulgação integral dos documentos.
A decisão também tornou públicos elementos de outras investigações relacionadas ao Banco Master. No caso de Jaques Wagner, documentos divulgados pela PF apontam que operadores ligados ao banco teriam discutido, em mensagens, a aquisição de um imóvel para a filha do senador. Wagner confirmou que houve negociação do apartamento, mas afirmou que pretendia ajudar a filha. A existência das mensagens, por si só, não comprova a prática de crime.
O levantamento do sigilo ocorre em meio à crise instalada no STF após a divulgação de mensagens encontradas no celular de Vorcaro e às divergências entre ministros sobre a condução das investigações do Banco Master.
Inicialmente, Mendonça havia tornado públicos 15 procedimentos relacionados ao caso. A liberação parcial provocou críticas de integrantes da Corte e da PGR, que sustentaram que outros documentos ainda permaneciam sob sigilo. Mendonça afirmou, por sua vez, que havia divulgado todo o material que poderia ser disponibilizado naquele momento.
O presidente do STF, Edson Fachin, posteriormente determinou que Mendonça encaminhasse todos os procedimentos relacionados ao caso e levantasse o sigilo, com exceção de informações cuja preservação fosse necessária para não comprometer diligências investigativas. A Corte marcou para terça-feira (15) uma sessão extraordinária para discutir os desdobramentos do caso.