A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro ampliou a pressão política em torno do caso.
Durante o Live CNN desta quarta-feira (2), a analista de política Clarissa Oliveira afirmou que conversas mantidas por ela com políticos desde terça-feira (1º) indicam uma percepção de que é necessário encontrar uma solução para a crise.
Segundo Clarissa, integrantes do meio político avaliam que uma eventual saída voluntária de Moraes do STF seria uma alternativa ao processo de impeachment. “Seria uma espécie de saída honrosa na avaliação desses articuladores”, afirmou.
A analista disse ainda que integrantes de campanhas eleitorais, do Judiciário, além de juristas e advogados, consideram que “a gravidade dessas acusações é muito grande”.
“Ninguém está esperando que haja uma condenação antes da hora, mas o peso que isso tem sobre o próprio Supremo Tribunal Federal é grande na avaliação das fontes com quem conversei ontem”, ressaltou Clarissa.
Relatório também menciona PGR e direção da PF
Para Clarissa Oliveira, a repercussão do caso ultrapassa a relação entre Moraes e Vorcaro. O relatório da PF também contém menções à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
“São muitas as posições, muitas as instituições que estão ali permeadas por essa crise que tem como personagem principal Alexandre de Moraes”, afirmou a analista.
A divulgação do relatório ocorreu após André Mendonça determinar o levantamento do sigilo dos documentos. Na avaliação de Clarissa, a decisão aumentou a exposição pública do caso e elevou a pressão sobre Moraes e sobre o próprio STF.
“A publicidade que foi dada a essa crise, pelo histórico que a gente tem do Supremo, não era o desejo de muitos dos colegas do André Mendonça.”
Segundo a analista, a decisão de Mendonça colocou o caso no centro do debate público e aumentou a cobrança por transparência na condução das investigações.
PGR questiona validade do relatório
A crise também ganhou uma dimensão jurídica. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório da PF que reúne as mensagens, alegando questões relacionadas à investigação.
Para Clarissa, entretanto, a discussão sobre aspectos técnicos do documento não elimina a necessidade de apuração dos fatos apresentados.
“qualquer questão técnica não invalida a gravidade do que está ali”.
Ao avaliar os possíveis desdobramentos, a analista concluiu: “Se não tem uma saída jurídica para essa crise, precisa ter uma saída política”.
Até o momento, não há decisão do STF determinando o afastamento de Alexandre de Moraes do cargo. A eventual saída voluntária do ministro também não foi anunciada.
Com informações de CNN Brasil.
