Um fenômeno raro chamado tsunami meteorológico, ou meteotsunami, foi confirmado pela Defesa Civil de Santa Catarina nesta segunda-feira (21) no litoral sul do estado. A elevação repentina do nível do mar atingiu as cidades de Jaguaruna, Laguna e Imbituba, provocando alagamentos, acúmulo de água e areia nas ruas, danos em edificações e o deslocamento de embarcações. Até o momento, não havia registro de vítimas.
O episódio ocorreu por volta das primeiras horas da manhã, em meio à passagem de uma frente fria e a uma forte instabilidade atmosférica. Segundo a Defesa Civil, foram registradas rajadas de vento entre 60 e 90 quilômetros por hora na região. A combinação entre os ventos, uma linha de instabilidade e uma queda rápida da pressão atmosférica provocou uma elevação temporária e repentina do nível do mar.
Em Jaguaruna, a água avançou pela região da praia de Campo Bom e chegou a atingir áreas mais afastadas da faixa de areia. Em Laguna, pescadores foram surpreendidos pela força da água, que arrastou equipamentos e embarcações. Também houve registros de impactos em Imbituba.
Afinal, existe tsunami no Brasil?
Sim, mas é importante diferenciar os fenômenos. O chamado tsunami meteorológico não é provocado por terremotos ou movimentos do fundo do oceano, como ocorre nos tsunamis tradicionais.
O meteotsunami está relacionado a alterações rápidas da pressão atmosférica e à atuação de ventos fortes e perturbações atmosféricas sobre o mar. Em determinadas condições, essas alterações podem gerar ondas que se deslocam em direção à costa e provocam uma elevação rápida do nível da água.
As características do litoral também podem favorecer o avanço da água. Praias com determinadas configurações e áreas costeiras mais baixas podem permitir que o mar avance por uma distância maior durante o fenômeno.
Fenômeno é raro e difícil de prever
Segundo a Defesa Civil catarinense, o tsunami meteorológico é considerado raro e de difícil previsibilidade, justamente porque depende da combinação de diferentes condições atmosféricas e marítimas em um curto intervalo de tempo.
O fenômeno já havia sido registrado anteriormente em Santa Catarina. A Defesa Civil identificou ocorrências na Praia do Cardoso, em Laguna, em novembro de 2023, e em Jaguaruna, em dezembro de 2024.
Não é o mesmo que uma ressaca
Apesar de também provocar avanço do mar, o tsunami meteorológico é diferente de uma ressaca. A ressaca geralmente está associada a períodos mais prolongados de ondas e ventos fortes, enquanto o meteotsunami ocorre a partir de perturbações atmosféricas rápidas e específicas.
No episódio desta segunda-feira, a combinação de uma linha de instabilidade, queda brusca da pressão e ventos fortes fez o nível do mar subir rapidamente e avançar sobre áreas costeiras.
O episódio em Santa Catarina ocorreu durante uma sequência de temporais que também atingiu outras áreas do Sul do país. No Rio Grande do Sul, ventos superiores a 100 km/h provocaram danos, interrupções no fornecimento de energia e ocorrências graves.
