O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou neste sábado (26) uma proposta apresentada pelo Irã para reabrir, em até sete dias, o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás e um dos pontos centrais da atual crise entre os dois países.
“Rejeito a proposta deles”, declarou Trump a jornalistas em frente à Casa Branca.
Segundo o presidente americano, as autoridades iranianas estariam buscando um acordo para reabrir rapidamente a passagem marítima. Trump afirmou que Teerã estaria tentando negociar porque, em sua avaliação, “está perdendo terreno” no conflito.
A proposta havia sido anunciada pelo governo iraniano na sexta-feira. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a decisão agora dependeria de Washington.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, declarou que o plano foi elaborado em coordenação com o líder supremo Mojtaba Khamenei. Uma equipe formada por seis integrantes teria recebido autorização para negociar e tomar decisões sobre o acordo.
Estreito virou um dos principais pontos da crise
O Estreito de Ormuz está no centro da disputa entre Washington e Teerã. A passagem marítima é estratégica para o mercado mundial de energia e, antes da atual crise, concentrava uma parcela significativa do transporte internacional de hidrocarbonetos.
Desde o início dos confrontos, o Irã passou a reivindicar o controle da passagem, enquanto os Estados Unidos adotaram medidas de bloqueio contra portos iranianos.
Na sexta-feira, Trump publicou em sua rede social um mapa no qual o estreito aparecia com a denominação “Estreito Trump”, em mais um sinal da disputa em torno da região.
Antes da declaração do presidente americano, o Wall Street Journal havia informado, citando autoridades dos Estados Unidos, que Trump rejeitaria a proposta por considerar que o governo iraniano não atenderia às exigências de Washington.
Possibilidade de novos ataques
O jornal também informou que o governo americano avalia uma eventual retomada dos bombardeios contra o Irã depois das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para novembro.
Washington não realiza ataques aéreos contra território iraniano desde 1º de setembro. Na ocasião, uma sequência de ataques deixou mortos e feridos no sudeste do país. Paralelamente, ocorreram confrontos envolvendo embarcações na região do Estreito de Ormuz.
A continuidade da guerra também aumentou a pressão sobre o governo americano devido aos efeitos sobre os preços dos combustíveis.
Irã quer retomar acordo de junho
Ao apresentar a proposta, Abbas Araghchi afirmou que as medidas exigidas de Washington já estavam previstas em um protocolo firmado em junho.
O entendimento tinha como objetivo encerrar o conflito, permitir a reabertura do Estreito de Ormuz e posteriormente iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. As tratativas, porém, não avançaram devido às divergências sobre as condições para a passagem marítima.
Entre as exigências apresentadas por Teerã estão o cessar-fogo imediato em todas as frentes de combate, o desbloqueio de ativos iranianos congelados no exterior e a suspensão das sanções contra o petróleo do país.
O governo iraniano também pede o fim do bloqueio naval americano.
Outro ponto envolve o Iêmen. Em entrevista à AFP nesta semana, o porta-voz da Guarda Revolucionária iraniana, Hossein Mohebi, defendeu o encerramento dos combates no país.
A região passou a ser outro foco da crise no Oriente Médio com a retomada dos confrontos entre os houthis, aliados de Teerã, e o governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita. Os houthis também passaram a exercer controle sobre áreas próximas ao estreito de Bab el-Mandeb, outra rota estratégica para o comércio internacional de petróleo entre a Europa e a Ásia.
Com a rejeição de Trump, a proposta iraniana para a reabertura do Estreito de Ormuz permanece sem acordo entre as duas partes.
