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Silêncio de Trump e Rubio acende alerta no governo Lula e temor é de nova ofensiva dos EUA antes das eleições

Por Junior Melo
05/set/2026
Em Mundo
Foto: Reprodução/ IA

Foto: Reprodução/ IA

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O silêncio da administração de Donald Trump diante do agravamento da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) começou a despertar preocupação nos bastidores do governo Lula. A avaliação de interlocutores ligados à área diplomática é de que Washington acompanha atentamente os acontecimentos no Brasil e poderá reagir de maneira mais contundente antes do fim do processo eleitoral.

A preocupação ganhou força após o embate aberto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que levou para dentro do próprio Supremo uma crise que já ultrapassou os limites do Judiciário e passou a produzir repercussões políticas e diplomáticas.

Segundo apuração da CNN Brasil, auxiliares do presidente Lula já monitoram os possíveis impactos da crise do STF sobre a relação com os Estados Unidos. Informações envolvendo Moraes e Mendonça também teriam sido levadas ao Departamento de Estado norte-americano por integrantes da oposição.

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Nos bastidores diplomáticos ouvidos pela reportagem, porém, o que chama atenção neste momento não são declarações vindas de Washington, mas justamente a ausência delas.

“O silêncio de Trump e, principalmente, de Marco Rubio sempre precede uma ação dura”, afirmou um interlocutor, sob condição de anonimato.

A frase traduz a apreensão existente em setores que acompanham a relação entre Brasília e Washington. A leitura é de que os Estados Unidos podem estar aguardando o desenrolar da crise brasileira antes de decidir se adotarão novas medidas contra autoridades do país.

Moraes volta ao centro das atenções

Alexandre de Moraes é personagem conhecido da administração Trump. As tensões anteriores entre Washington e Brasília chegaram a envolver medidas americanas contra o ministro e uma deterioração significativa das relações bilaterais.

Agora, o conflito com André Mendonça recoloca Moraes sob forte exposição internacional.

A Reuters classificou o atual episódio como um raro e profundo conflito interno no Supremo, com potencial para atingir a credibilidade da instituição justamente às vésperas das eleições de outubro.

Nos Estados Unidos, a movimentação também estaria sendo acompanhada. A CNN informou que integrantes do governo brasileiro já trabalham com a perspectiva de que as novas revelações e decisões envolvendo Moraes cheguem ao Departamento de Estado.

A questão é saber o que Washington fará com essas informações.

Itamaraty teme movimento antes do fim da eleição

Segundo o relato obtido pela reportagem, existe nos bastidores diplomáticos brasileiros a expectativa de que uma eventual reação americana possa ocorrer ainda antes da conclusão das eleições.

Não há, até agora, anúncio oficial da Casa Branca ou do Departamento de Estado indicando novas sanções contra integrantes do STF. Tampouco há confirmação pública de que uma medida esteja em preparação.

Mas o histórico recente da relação entre os dois países alimenta a cautela.

Marco Rubio já adotou publicamente uma postura crítica ao governo Lula. Em junho, chegou a incluir o Brasil entre países considerados “não amigáveis” aos Estados Unidos. Mais recentemente, voltou a atacar Lula no contexto das divergências comerciais entre os dois governos.

O secretário de Estado também anunciou uma nova viagem pela América Latina entre os dias 8 e 10 de setembro. Colômbia, Peru e Equador estão no roteiro; o Brasil ficou de fora.

Crise no STF pode abrir nova frente

A avaliação de interlocutores é que o choque entre Moraes e Mendonça pode representar uma oportunidade para Washington voltar a pressionar setores do Judiciário brasileiro.

Nesse cenário, uma eventual iniciativa americana teria consequências que ultrapassariam o Supremo. Poderia atingir politicamente o campo de sustentação institucional do governo Lula em plena reta final eleitoral e provocar uma nova escalada diplomática entre Brasília e Washington.

Por enquanto, porém, há mais sinais de preocupação do que certezas.

A Casa Branca não anunciou novas medidas relacionadas à crise do STF, e o Departamento de Estado não tornou pública qualquer decisão nesse sentido.

É justamente essa ausência de movimentos ostensivos que, segundo a fonte ouvida pela reportagem, está sendo observada com atenção.

Para setores do governo brasileiro, a pergunta neste momento não seria apenas se Washington pretende reagir à nova crise institucional brasileira, mas quando — e com qual intensidade.

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