O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, registrou forte alta nesta terça-feira (8), em um movimento que combina fatores externos e mudanças nas expectativas dos investidores em relação às eleições de 2026.
Por volta das 13h, o índice avançava cerca de 1,8%, superando os 188 mil pontos. O movimento ocorria apesar do desempenho negativo de importantes mercados internacionais. O dólar também recuava, enquanto os juros futuros registravam queda, sinalizando uma melhora nas expectativas dos investidores em relação à trajetória dos juros no Brasil.
No início do pregão, o dólar chegou a ser negociado próximo de R$ 5,09, enquanto o Ibovespa avançava cerca de 2%. A alta do petróleo, próxima dos US$ 100 por barril, também ajudava a impulsionar ações de grandes empresas, como Petrobras.
Pesquisa eleitoral entra no radar do mercado
Além das commodities, o cenário eleitoral passou a ser um dos principais fatores acompanhados pelos investidores.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira mostrou, pela primeira vez, Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno. O senador aparece com 46% das intenções de voto, contra 45% do presidente.
A diferença, porém, está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Portanto, o levantamento aponta empate técnico, e não uma liderança estatisticamente consolidada de Flávio.
No primeiro turno, Lula continua na liderança, com 39%, enquanto Flávio aparece com 35%. Augusto Cury (Avante) tem 9%, seguido por Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão), com 4% cada.
O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre os dias 4 e 7 de setembro, por telefone, e tem margem de erro de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-06790/2026.
Mercado acompanha cenário fiscal
Para investidores, o resultado eleitoral também é observado sob a perspectiva da política fiscal. Uma eventual percepção de maior controle dos gastos públicos tende a influenciar as expectativas para inflação, juros e dívida pública.
O mercado brasileiro convive há anos com preocupações relacionadas ao equilíbrio das contas públicas. O aumento da dívida e a necessidade de manter juros elevados para conter a inflação afetam diretamente o custo de financiamento do governo e as condições de crédito para empresas e consumidores.
Durante o governo Lula, a política fiscal tornou-se um dos pontos de maior atenção dos agentes financeiros. Declarações do presidente sobre a dívida pública e escolhas para a equipe econômica de sua campanha também passaram a ser observadas sob essa ótica.
Flávio tenta ganhar confiança do mercado
Do outro lado, a equipe escolhida por Flávio Bolsonaro para discutir a economia de sua campanha também é acompanhada pelos investidores.
A escolha de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e integrante da equipe do ex-ministro Paulo Guedes durante o governo Jair Bolsonaro, é vista como um sinal de aproximação com uma agenda econômica mais liberal e de maior preocupação com o equilíbrio das contas públicas.
A reação positiva do mercado, no entanto, não pode ser atribuída exclusivamente à pesquisa eleitoral. A alta do petróleo, a valorização de ações de empresas ligadas a commodities e a possibilidade de retomada do fluxo de capital estrangeiro também contribuíram para o avanço da Bolsa nesta terça-feira.
Com isso, investidores acompanham simultaneamente três frentes: o comportamento das commodities, as perspectivas para os juros e a evolução da corrida presidencial. A combinação desses fatores ajudou a sustentar o movimento positivo dos ativos brasileiros nesta terça-feira.
