A crescente tensão entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), começa a produzir efeitos que ultrapassam os limites da Corte e chegam ao ambiente eleitoral.
Entre grupos evangélicos alinhados à direita, a reação a Moraes passou a despertar uma mobilização que, até pouco tempo atrás, estava enfraquecida. A avaliação de integrantes desse segmento é que a rejeição ao ministro pode ter maior capacidade de mobilização do que o próprio apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
O conflito ganhou ainda mais força pelo fato de Mendonça ser atualmente o único ministro evangélico do STF. Para setores religiosos ligados ao bolsonarismo, o magistrado passou a ser visto como uma espécie de representante dos valores defendidos por esse público dentro da Suprema Corte.
“Vamos orar por André Mendonça” ganha outro significado
Mensagens de apoio a Mendonça começaram a circular entre grupos evangélicos de diferentes regiões do país. Uma das frases que se tornou recorrente é “vamos orar por André Mendonça”.
Embora a expressão tenha caráter religioso, integrantes desses grupos interpretam a mobilização como um sinal de engajamento político. Na prática, o pedido de oração também funcionaria como um chamado para que eleitores voltem a participar ativamente do processo eleitoral.
A movimentação ocorre depois de um período de desânimo entre setores bolsonaristas das igrejas. Parte desse público demonstrava resistência à candidatura de Flávio Bolsonaro, enquanto outra parcela considerava baixa a possibilidade de vitória eleitoral.
Conflito no STF muda clima entre evangélicos de direita
O confronto entre os ministros teria alterado esse cenário. A disputa passou a ser interpretada por grupos religiosos como uma questão que ultrapassa divergências jurídicas e envolve a representação de um ministro evangélico diante de um dos principais integrantes da Corte.
Nesse ambiente, Mendonça passou a ocupar um espaço simbólico entre os evangélicos de direita. A percepção de que ele teria sido escolhido para o Supremo por uma espécie de propósito religioso também ganhou força entre setores desse eleitorado.
Mobilização pode pesar na reta final
A avaliação entre esses grupos é que a disputa no STF pode servir como fator de mobilização eleitoral, especialmente entre eleitores que estavam desmotivados ou indecisos.
A antipatia contra Moraes, nesse contexto, funcionaria como elemento de união de diferentes setores da direita e poderia aumentar o engajamento de grupos evangélicos na reta final da eleição.
O tamanho desse movimento e seu eventual impacto nas urnas, porém, dependerão da capacidade dessas redes de transformar a mobilização nas igrejas e nas redes sociais em participação efetiva durante a campanha.