O STF está disposto a fazer o diabo para Lula ser reeleito, usando processos que só na imaginação mais desvairada teriam a ver com questões eleitorais para assumir ações que deveriam correr no Tribunal Superior Eleitoral.
O PT recorre a amigos no Supremo para driblar a corte eleitoral, hoje presidida por Nunes Marques, visto com desconfiança por ser indicado por Jair Bolsonaro, embora o partido de Lula conte com maioria no plenário do TSE, como se viu na votação da suspensão da campanha ao Senado de Deltan Dallagnol, caso ululante de perseguição política.
Depois de Gilmar Mendes desarquivar um mandado arquivado há dois anos para dar aval a que o petista tentasse comprar votos dos pobres com o aumento eleitoreiro do Bolsa Família, chegou a vez de Flávio Dino mostrar serviço.
No ano passado, para evitar que bancos brasileiros obedecessem à Lei Magnitsky, com a qual Alexandre de Moraes havia sido punida pelos Estados Unidos, o ex-ministro da Justiça de Lula lançou mão de um ação impetrada pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para impedir que municípios brasileiros levassem à Justiça de outros países fatos ocorridos no Brasil.
O caso, que nasceu para bloquear decisões da Justiça britânica contra a Vale que determinavam o pagamento de indenizações pelo rompimento da barragem de Mariana, foi usado por Flávio Dino para proibir que os bancos cancelassem os cartões de crédito de Alexandre de Moraes. De uma tragédia nasceu uma comédia.
Pois bem, como a ação do Ibram envolve soberania, ela serviu agora para que o PT peticionasse contra Flávio Bolsonaro no seu âmbito, acusando o adversário de agir em favor da interferência dos Estados Unidos na eleição presidencial brasileira. Não bastou a reclamação junto ao TSE, era preciso contar com Flávio Dino, uma espécie de causa eficiente aristotélica para os petistas.
Texto de Mário Sabino para o Metrópoles
