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Início Brasil

Folha: abusos e omissões ampliam crise no STF

Por Junior Melo
07/set/2026
Em Brasil, STF
André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli - Foto: Cristiano Mariz/O Globo

André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli - Foto: Cristiano Mariz/O Globo

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A crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou novos contornos após o pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para anular o relatório da Polícia Federal que reúne informações sobre as relações de Daniel Vorcaro com autoridades, entre elas Alexandre de Moraes e o próprio Gonet.

A reação de Gonet e a iniciativa de Moraes contra André Mendonça, no âmbito do inquérito das fake news, passaram a alimentar uma disputa sobre a legalidade dos procedimentos adotados. Para críticos da Corte, os episódios não podem ser tratados como equivalentes, especialmente porque os dois ministros e o procurador-geral são citados no material produzido pela PF.

Segundo a argumentação apresentada por Gonet, Mendonça teria determinado a investigação de um ministro do STF sem provocação do Ministério Público ou da própria Polícia Federal e sem observar o rito que, na visão da PGR, seria necessário para integrantes da Corte.

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Moraes, por outro lado, acionou o inquérito das fake news para apurar a conduta de Mendonça, incluindo suspeitas de abuso de autoridade. A medida teve como base um relatório interno de inteligência da PF. O documento, segundo informações divulgadas, possui caráter informativo e não probatório, além de reunir análises e inferências que passaram a ser questionadas no próprio tribunal.

A defesa de Mendonça é que o ministro não determinou diretamente uma investigação contra Moraes. O objetivo seria identificar pessoas mencionadas nas conversas obtidas durante uma investigação já existente sobre Daniel Vorcaro, inclusive aquelas que poderiam possuir foro privilegiado.

A partir da identificação dos envolvidos e de eventuais indícios de crimes, caberia às instituições competentes analisar os próximos passos. Mendonça também solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República e apreciação do plenário do STF.

Mensagens e contrato com escritório de advocacia

Entre os pontos que aumentaram a pressão sobre Moraes estão mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro. O relatório da PF também registrou alterações em um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Segundo a apuração da PF divulgada pela imprensa, os metadados indicaram participação de Moraes na edição do documento. O escritório afirmou que ele foi consultado para verificar eventual conflito de interesses.

O material também expôs mensagens envolvendo Paulo Gonet e Vorcaro. Em uma delas, após um convite para um evento em Londres, o procurador-geral respondeu:

“Oba!!!! Tomara que tenha charuto e macalan”.

Vorcaro respondeu ao comentário:

“Agora vai ter que ter plantação de charuto e barril de macalan rsrs”.

As mensagens, divulgadas após Mendonça retirar o sigilo do relatório, mostram ainda que Gonet teria sido incluído em uma viagem a Londres organizada por Vorcaro e que o procurador-geral pediu autorização para levar o filho, Pedro Gonet.

Gonet, posteriormente, pediu o arquivamento do caso e questionou a competência de Mendonça para determinar a produção do relatório da PF.

Pressão por investigação

Diante do conjunto de informações reveladas, críticos do STF defendem que Moraes e Gonet sejam afastados dos assuntos relacionados ao caso e submetidos a uma apuração independente. A avaliação é de que a Corte precisa esclarecer as circunstâncias envolvendo as mensagens, os procedimentos adotados e os possíveis conflitos de interesse.

A crise coloca em xeque a atuação de diferentes autoridades e amplia a pressão por transparência na condução das investigações. Para os críticos, deixar de apurar as suspeitas poderia aprofundar a percepção de falta de responsabilização dentro do próprio Supremo.

Com informações de Folha de S. Paulo

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