O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, passou a usar as futuras indicações de ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) como um dos principais argumentos eleitorais contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante discurso realizado nesta segunda-feira (7), feriado de 7 de Setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo, Flávio associou Lula ao ministro Alexandre de Moraes e afirmou que a eleição também definirá os rumos da composição da Corte nos próximos anos.
“Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, afirmou o senador.
Na sequência, Flávio disse que, caso seja eleito, não permitirá que Lula faça novas indicações semelhantes à de Moraes.
“Nós não vamos permitir que o Lula indique mais quatro Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal”, declarou.
Flávio promete indicar cinco ministros
Atualmente, o STF tem dez ministros. A vaga deixada por Luís Roberto Barroso, que se aposentou em 2025, ainda não foi preenchida.
Lula já indicou Cristiano Zanin e Flávio Dino para a Corte e ainda poderá fazer uma nova indicação durante o atual mandato. O advogado-geral da União, Jorge Messias, chegou a ser indicado para a vaga de Barroso, mas teve o nome rejeitado pelo Senado.
Além disso, o próximo presidente poderá indicar novos ministros em razão das aposentadorias compulsórias previstas para os próximos anos. Luiz Fux deverá deixar o STF em 2028, Cármen Lúcia em 2029 e Gilmar Mendes em 2030.
Flávio, porém, afirmou que pretende indicar cinco ministros caso seja eleito. A conta inclui uma eventual saída de Alexandre de Moraes, que o senador aposta que sofrerá impeachment.
“Eu vou indicar cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal, porque Alexandre de Moraes vai cair”, afirmou.
Campanha mira eleitores além da direita
A estratégia da campanha bolsonarista é explorar a crise envolvendo o caso Banco Master e os questionamentos direcionados a Moraes para tentar ampliar a rejeição ao ministro para além do eleitorado tradicionalmente ligado à direita.
A avaliação é de que o desgaste de Moraes pode ser utilizado para criar resistência, entre eleitores de centro, a novas indicações de Lula para o STF.
Ao colocar a composição futura da Corte no centro do debate eleitoral, Flávio busca transformar a escolha do próximo presidente também em uma decisão sobre o perfil que o Supremo terá nos próximos anos.
