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Início Brasil

Ex-PGR defende afastamento de Gonet de caso Banco Master e diz que Moraes deve ser investigado

Por Junior Melo
03/set/2026
Em Brasil, STF
Claudio Fonteles atuou como PGR entre 2003 e 20025. - Agência Brasil

Claudio Fonteles atuou como PGR entre 2003 e 20025. - Agência Brasil

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O ex-procurador-geral da República Claudio Lemos Fonteles afirmou que o atual PGR, Paulo Gonet, deveria deixar a condução das investigações relacionadas às fraudes bilionárias no Banco Master. A avaliação ocorre após o nome de Gonet aparecer em diálogos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso.

Segundo relatório da Polícia Federal, o advogado Ciro Soares, que já defendeu o Banco Master, teria intermediado contatos entre Vorcaro e Gonet. Em março de 2025, Soares teria atuado para incluir Pedro Gonet, filho do procurador-geral, em uma viagem a Londres custeada pelo banco para participação em um evento.

Ainda de acordo com o relatório, dias antes, Soares enviou a Vorcaro uma fotografia ao lado de Paulo Gonet e informou que estava com o PGR. Na sequência, os dois teriam realizado ligações. Gonet ainda não havia se manifestado sobre as revelações.

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Para Fonteles, a possível viagem envolvendo o filho de Gonet é o ponto mais delicado do caso, embora, segundo ele, isso não represente necessariamente um crime. Mesmo assim, o ex-PGR defendeu que Gonet se afaste da condução das investigações como forma de preservar sua própria atuação.

“O procurador-geral da República tem que explicar isso”, afirmou Fonteles à BBC News Brasil. Para ele, as investigações deveriam ser transferidas ao vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho.

Relatório da PF também cita Alexandre de Moraes

O relatório que trouxe as mensagens envolvendo Gonet teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator dos inquéritos relacionados ao caso Banco Master.

O documento também reúne mensagens atribuídas a Vorcaro envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e pessoas ligadas à família do magistrado.

Segundo a PF, em outubro de 2025, Vorcaro teria pedido a Moraes que interferisse em seu favor em questões envolvendo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Em outra mensagem, enviada em novembro, o banqueiro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o Brasil. Dois dias depois, Vorcaro foi preso quando tentava deixar o país com destino a Dubai. No dia seguinte, o Banco Central determinou a liquidação do Banco Master.

As investigações também apontaram que o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, mantinha um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master. Segundo o relatório, o documento teria sido editado pelo próprio ministro.

Gonet contesta atuação de Mendonça

Na segunda-feira (31), André Mendonça determinou que a Procuradoria-Geral da República analisasse o relatório da PF e se manifestasse sobre a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes.

Gonet, entretanto, pediu a anulação do procedimento. Na avaliação do PGR, Mendonça não poderia ter determinado diretamente à Polícia Federal a produção do relatório sobre as mensagens envolvendo Moraes. Para Gonet, a questão deveria ter sido submetida previamente ao plenário do STF.

“O juiz não pode acusar, muito menos realizar investigações pré-processuais”, argumentou o procurador-geral em sua manifestação.

Fonteles discorda. Para o ex-PGR, não houve ilegalidade na solicitação feita por Mendonça e existem elementos suficientes para que o STF avalie a abertura de uma investigação sobre Moraes.

Ele citou, entre outros pontos, a participação atribuída ao ministro na contratação do escritório de sua esposa e as mensagens nas quais Vorcaro teria perguntado se deveria deixar o país.

Na avaliação de Fonteles, esses elementos justificam uma apuração mais aprofundada e não configuram, neste momento, uma acusação definitiva contra o ministro.

Ex-PGR descarta impeachment e afastamento de Moraes

Fonteles afirmou considerar que o STF atravessa “a maior crise de sua história”, mas não defendeu o impeachment de Moraes nem seu afastamento durante uma eventual investigação.

“Vamos abrir e vamos desenvolver amplamente essa investigação”, declarou.

O ex-PGR também explicou que a Lei 13.964, de 2019, ampliou as possibilidades de atuação judicial durante procedimentos investigativos. Ele entende que a atuação de Mendonça, ao requisitar informações à PF, não teria violado o sistema acusatório.

A legislação criou a figura do juiz de garantias, responsável pela supervisão da investigação, mas o STF decidiu, em 2023, que a medida não se aplica aos processos de competência originária da própria Corte e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Escritório de Viviane Barci nega irregularidades

O ministro Alexandre de Moraes ainda não havia se manifestado sobre as revelações envolvendo as mensagens de Vorcaro. As respostas do magistrado não foram recuperadas pela PF porque, segundo os investigadores, as conversas eram compartilhadas por meio de imagens com visualização única.

Já o escritório Barci de Moraes negou qualquer irregularidade na relação contratual com o Banco Master.

Em nota divulgada na terça-feira (1º), a banca afirmou que seu setor de compliance consultou Alexandre de Moraes sobre a existência de eventuais impedimentos legais para a contratação, justamente porque ele é marido de Viviane Barci de Moraes, sócia-diretora do escritório.

Segundo a banca, a consulta buscava verificar possíveis conflitos relacionados a processos sob relatoria de Moraes ou julgamentos de interesse do banco.

O escritório afirmou que não havia previsão de atuação perante o STF nem impedimento legal para a contratação. Também declarou que Moraes “jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master”.

O caso segue sob análise e as acusações mencionadas no relatório da Polícia Federal ainda dependem de investigação e eventual comprovação pelas autoridades competentes.

Com informações de BBC.

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