Ex-integrantes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida como Igreja Mórmon, reuniram denúncias de supostos abusos vividos durante o período em que fizeram parte da instituição. Os relatos incluem acusações de controle psicológico, exploração financeira, patriarcado e rituais secretos realizados em cerimônias religiosas.
Segundo os depoimentos, algumas cerimônias antigas da igreja incluíam simulações de penalidades violentas, como gestos que representavam o corte da garganta e outras punições simbólicas. Ex-membros também criticam a prática do batismo vicário, ritual realizado em nome de pessoas já falecidas.
A igreja foi procurada para comentar as denúncias, mas não se manifestou.
Pesquisador relata perseguição após deixar a igreja
Um dos relatos é do professor e pesquisador Carlos Alberto Dutra Fraga Filho, que afirma ter permanecido cerca de quatro anos ligado à igreja, entre visitas de missionários, participação em cultos e o próprio batismo.
Segundo ele, a recepção inicial foi positiva, mas a relação mudou após sua decisão de deixar a instituição. O pesquisador afirma que passou a enfrentar perseguições, ameaças e disputas judiciais, experiência que também descreve em um livro.
Separação teria agravado conflito
Fraga Filho relata que os problemas se intensificaram durante o processo de separação da esposa. De acordo com ele, representantes da igreja teriam interferido diretamente no relacionamento do casal.
O pesquisador afirma ainda que um advogado ligado à igreja, contratado para acompanhar o caso, orientou que ele e a ex-esposa deixassem de manter contato após seu afastamento da doutrina.
Segundo seu relato, posteriormente foram solicitadas medidas protetivas para impedir uma reaproximação, embora ele alegue que a ex-esposa continuava procurando por ele em questões pessoais e de saúde.
Acusações permanecem sem resposta oficial
As denúncias fazem parte de relatos apresentados por ex-membros da instituição e incluem críticas à estrutura interna da igreja e às práticas adotadas em determinados contextos religiosos.
Até o momento, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não apresentou posicionamento oficial sobre as acusações divulgadas.