Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) se aproxima do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas para a eleição presidencial de 2026, o Partido dos Trabalhadores enfrenta dificuldades nas disputas pelos governos estaduais.
Das 12 candidaturas próprias do PT, apenas Rafael Fonteles, no Piauí, aparece na liderança, segundo dados do Agregador Inteligov/EXAME, que reúne levantamentos dos 26 estados e do Distrito Federal.
O cenário, a 26 dias do primeiro turno, pode levar o partido ao pior resultado nas eleições estaduais desde 2002, quando elegeu apenas três governadores. Desde então, o PT chegou a eleger cinco governadores entre 2010 e 2014 e quatro em cada uma das eleições de 2018 e 2022.
No Piauí, Rafael Fonteles, que disputa a reeleição, aparece com 60,6% das intenções de voto. Joel Rodrigues (PP) tem 18,1%, enquanto Lourdes Melo (PCO) registra 0,7%.
A diferença de 42,5 pontos percentuais faz do estado a disputa mais confortável para o PT entre suas candidaturas próprias.
Nos outros estados atualmente governados pelo partido, o cenário é mais apertado. No Ceará, Elmano de Freitas (PT) aparece 4,68 pontos atrás do ex-governador Ciro Gomes (PSDB).
Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) registra 39,76%, contra 46,01% do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União).
No Rio Grande do Norte, Cadu Xavier, candidato apoiado pela governadora Fátima Bezerra, está em terceiro lugar, com 15,69%. Allyson Bezerra (União) lidera, com 33,69%.
Em São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) aparece atrás do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O atual governador registra 46,92%, contra 31,82% de Haddad.
No Mato Grosso do Sul, Fábio Trad aparece em segundo, com 20,64%, mas está distante do governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, que soma 44,96%.
Em Minas Gerais, o ex-prefeito Patrus Ananias disputa a segunda posição com Alexandre Kalil (PDT). Na liderança está o senador Cleitinho (Republicanos), com vantagem de 21,38 pontos percentuais.
Já no Maranhão, Espírito Santo, Goiás, Rondônia e Distrito Federal, candidatos do PT aparecem na terceira ou quarta colocação.
PT amplia alianças nos estados
Apesar do desempenho limitado de suas candidaturas próprias, o PT ampliou os palanques estaduais em 2026 por meio de alianças com partidos de centro e centro-direita.
Segundo a legenda, as coligações estão distribuídas da seguinte forma:
- PSD: Amazonas, Mato Grosso, Rio de Janeiro, Sergipe e Tocantins;
- PSB: Acre, Pernambuco e Santa Catarina;
- MDB: Alagoas e Pará;
- PDT: Paraná e Rio Grande do Sul;
- PP: Paraíba;
- União Brasil: Amapá;
- PSOL: Roraima.
Em cinco desses estados, os candidatos apoiados por partidos aliados ao PT lideram as pesquisas: Amazonas, Rio de Janeiro, Sergipe, Pará e Paraíba.
No Amazonas, Omar Aziz (PSD) aparece na frente, com 29,5%, seguido por Maria do Carmo Seffair (PL), com 21,6%, e Roberto Cidade (União Brasil), com 18,5%.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) lidera com 42,3%, contra 12,2% de Douglas Ruas (PL) e 9,2% de Anthony Garotinho (Republicanos).
Em Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD) registra 39,7%, à frente de Valmir de Francisquinho (Republicanos), com 33%, e Ricardo Marques (PL), com 6,4%.
No Pará, Hana Ghassan (MDB) tem 28%, seguida por Daniel Santos (Podemos), com 26,9%, e Araceli Lemos (PSOL), com 2,5%.
Na Paraíba, Lucas Ribeiro (PP) aparece com 33,4%, enquanto Cícero Lucena (MDB) tem 23,9% e Efraim Filho (PL), 17,5%.
Em Mato Grosso, Tocantins, Acre, Pernambuco, Santa Catarina, Alagoas, Amapá e Roraima, os candidatos dos partidos aliados ao PT aparecem atrás na corrida.
Estratégia prioriza alianças e campanha presidencial
A estratégia de ampliar alianças, em vez de lançar candidatos próprios em todos os estados, é justificada pelo PT pela falta de competitividade eleitoral da legenda em algumas regiões.
O partido também priorizou a reeleição de Lula à Presidência, mesmo que isso implique abrir mão de protagonismo em determinadas disputas estaduais.
O próprio Lula reconheceu publicamente que o PT “não está com essa bola toda em todos os estados” e defendeu a formação de composições mais amplas.
Além de ampliar as chances eleitorais, as alianças podem garantir mais tempo de propaganda no rádio e na televisão, recursos partidários e eleitorais e maior presença política nos estados, favorecendo também candidaturas proporcionais e a campanha presidencial.
Na avaliação de dirigentes petistas, as alianças também ajudam a reduzir o espaço do bolsonarismo em regiões consideradas estratégicas. Um exemplo citado é o Rio de Janeiro, onde o PT apoia Eduardo Paes (PSD) em vez de apresentar uma candidatura própria.
Sul concentra maiores dificuldades
A região Sul aparece como o principal ponto de dificuldade para o PT no atual cenário estadual. Nos três estados, candidatos do PL lideram as pesquisas.
No Paraná, Sergio Moro (PL) tem 41,8%, seguido por Requião Filho (PDT), com 20,9%, e Sandro Alex (PSD), com 13,1%.
No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) aparece na liderança, com 28,3%, contra 25,5% de Juliana Brizola (PDT) e 9,9% de Gabriel Souza (MDB).
Em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) tem 52% das intenções de voto, enquanto João Rodrigues (PSD) registra 19,4% e Gelson Merísio (PSB), 6,2%.
Embora o PT tenha alianças com PDT no Paraná e no Rio Grande do Sul e com o PSB em Santa Catarina, nenhum dos candidatos apoiados pela legenda lidera as respectivas disputas.
Nos três estados, os candidatos aliados ao PT aparecem na segunda colocação, enquanto o PL ocupa a liderança, evidenciando a dificuldade da legenda petista de conquistar governos estaduais na região neste momento da campanha.
Com informações de Exame.
