O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin, foi surpreendido na manhã desta quarta-feira (9) pela decisão do ministro Flávio Dino de reintegrar Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal (PF).
Segundo o Poder360, Fachin passou a terça-feira (8) articulando uma solução para a crise no STF, que havia se agravado após o ministro André Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da PF.
Ainda de acordo com a publicação, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantiveram uma articulação paralela com Flávio Dino, indicado por Lula, na noite de terça-feira para revisar a decisão de Mendonça antes de uma manifestação de Fachin.
Andrei Rodrigues teria informado ao Palácio do Planalto que recorreria ao STF e pediria uma decisão diretamente a Flávio Dino. Segundo o Poder360, essa movimentação não era de conhecimento de Fachin.
O presidente do STF havia informado a interlocutores que pretendia solucionar o caso a partir de um recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União (AGU), que pediu a reversão do afastamento de Andrei Rodrigues. A última decisão de Fachin havia sido conceder prazo de três dias para que Mendonça se manifestasse sobre o pedido.
Ministros questionam Fachin
Na manhã desta quarta-feira, pelo menos quatro ministros do STF teriam questionado Fachin sobre a possibilidade de barrar a decisão de Dino. Na avaliação desses magistrados, a decisão do ministro teria atropelado o procedimento que já estava sendo conduzido pelo presidente da Corte.
Segundo esses ministros, Dino deveria ter encaminhado o caso ao comando do STF, onde já tramitava o recurso da AGU.
Ministros ouvidos pelo Poder360 avaliam que, caso Fachin não tome nenhuma medida, André Mendonça poderá ficar fragilizado diante da pressão atribuída aos ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes. Segundo a publicação, os três defendem a retirada de Mendonça da relatoria do caso envolvendo o Banco Master.
Publicamente, Fachin demonstra buscar uma solução consensual entre os ministros para que o caso envolvendo Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes seja levado ao plenário do STF.
O Poder360, porém, afirma que, nos bastidores, o presidente do Supremo estaria adotando uma postura de não interferência até o período eleitoral de outubro de 2026, em linha com interesses atribuídos ao Palácio do Planalto e ao grupo formado por Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes.
A publicação cita reportagem divulgada em 6 de setembro, intitulada “Planalto e Supremo negociam preservar Moraes até depois da eleição”.
Até o fim da manhã desta quarta-feira, Fachin ainda não havia respondido aos ministros que o procuraram sobre como pretende agir diante da decisão de Dino.
Pressão sobre o presidente do STF
Na avaliação do grupo mais próximo de André Mendonça, que inclui os ministros Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli, Fachin também poderá ficar fragilizado caso não reaja à decisão de Flávio Dino.
Segundo essa avaliação, ao não tomar uma decisão sobre o despacho de Dino, o presidente do STF poderá acabar assumindo, na prática, uma posição mais favorável a um dos lados da disputa.
O texto também afirma que Fachin teria perdido espaço na condução da crise ao permanecer afastado das articulações realizadas na terça-feira. Segundo o Poder360, o grupo considerado próximo a Alexandre de Moraes e Andrei Rodrigues teria avaliado que Fachin acataria a decisão de Dino e permaneceria sem agir até o fim da manhã desta quarta-feira.
Com informações de Poder 360
