O advogado Willer Tomaz afirmou nesta quinta-feira (24) que o voo realizado em janeiro de 2025 entre a Flórida, nos Estados Unidos, e Brasília não teve qualquer relação com o empresário Daniel Vorcaro. Segundo matéria publicada pela CNN Brasil quinta-feira (24), o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, estava entre os passageiros.
Em nota enviada à CNN, Tomaz afirmou que a aeronave pertence à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., empresa da qual ele possui uma das três cotas desde 2023.
Segundo o advogado, o voo foi solicitado, organizado e integralmente pago por ele, com os custos debitados das horas correspondentes à sua cota na aeronave.
“Vorcaro não pagou, não cedeu, não autorizou e não participou daquele voo — nem direta, nem indiretamente”, declarou Tomaz. Ele também afirmou que não conhece Daniel Vorcaro e que nunca realizou negócios com o empresário.
Ainda de acordo com Tomaz, os demais passageiros, entre eles Flávio Bolsonaro, viajaram como seus convidados, sem custos ou qualquer contrapartida.
Disputa envolvendo a cota da aeronave
Tomaz também afirmou que uma das cotas da Fraction 024 foi vendida à Prime You, empresa que operava a aeronave e que teve Daniel Vorcaro como sócio entre 2021 e setembro de 2025.
Segundo o advogado, a negociação ocorreu sem sua anuência. Ele declarou que, após tomar conhecimento da operação, em abril de 2026, denunciou o contrato e passou a discutir o caso judicialmente com a Prime You.
“Atribuir aquele voo a Daniel Vorcaro é falso”, afirmou.
Uma reportagem publicada pela revista Piauí nesta quinta-feira, porém, informou que Daniel Vorcaro aparece entre os proprietários da aeronave. Trata-se de um Legacy 650, de prefixo PP-NLR, que também transportou o ministro do STF Alexandre de Moraes em agosto de 2025.
Segundo a reportagem, o voo realizado em janeiro de 2025 saiu de Fort Lauderdale, na Flórida, com destino a Brasília. Flávio Bolsonaro teria viajado acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas.
Estrutura de propriedade
Conforme relatório da Polícia Federal citado na reportagem, cada uma das três cotas correspondia a 33,33% da aeronave e valia cerca de US$ 5,5 milhões em maio de 2025.
A propriedade formal do avião era atribuída à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., sociedade que dividia a participação no jato em três partes.
Segundo a reportagem, uma das cotas era de Willer Tomaz, por meio da empresa Alcazar Holdings. Outra pertencia a Laércio Cosentino, fundador da TOTVS. A terceira havia pertencido ao empresário Gabriel Szlezynger Lacerda, da petroquímica Unigel, e teria sido vendida à Prime You, ligada a Daniel Vorcaro, no fim de 2024.
A Piauí também relatou que Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz mantinham uma relação próxima e realizaram outras viagens juntos. Tomaz foi alvo de investigação relacionada ao esquema de desvios e fraudes no INSS.
Em agosto, ainda segundo a reportagem, Flávio teria utilizado durante a campanha em São Paulo um apartamento que uma empresa de Tomaz havia comprado, em fevereiro, de Fabiano Zettel, apontado como cunhado e operador financeiro de Vorcaro.
Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro comentou o episódio: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, publicou o senador no X.
Em sua nota, Tomaz reiterou que o voo de janeiro de 2025 foi custeado por ele e que Daniel Vorcaro não participou da viagem. O advogado também pediu a retificação das informações que atribuam o voo ao empresário.
