Pesquisadores da Flórida estão utilizando uma estratégia inusitada para combater a presença de pítons-birmanesas, espécie invasora que ameaça o equilíbrio ambiental dos Everglades, no sul do estado. A iniciativa utiliza coelhos robóticos capazes de reproduzir movimentos, calor e até o cheiro dos animais reais para atrair as cobras.
Ao todo, 120 dispositivos robóticos foram instalados em áreas estratégicas. Alimentados por energia solar e acompanhados por câmeras e sistemas de rastreamento, os equipamentos funcionam como iscas para as pítons.
A estratégia aproveita o comportamento predatório das cobras. Quando uma píton se aproxima ou ataca o coelho artificial, os pesquisadores conseguem identificar sua localização e realizar a captura antes que o animal tenha oportunidade de se reproduzir.
Coelhos são importantes na alimentação das pítons
A escolha dos coelhos não ocorreu por acaso. Um estudo realizado em 2015 pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos, em parceria com a Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida e a Universidade da Flórida, analisou o impacto das pítons sobre animais nativos.
Na pesquisa, 95 coelhos-do-brejo adultos foram colocados em áreas dos Everglades. Após 11 meses, os pesquisadores constataram que as pítons foram responsáveis por 77% das mortes dos coelhos.
O resultado ajudou a demonstrar o impacto da espécie invasora sobre a fauna local e reforçou a necessidade de desenvolver métodos mais eficientes para localizar e controlar sua população.
Tecnologia pode ser combinada com outras estratégias
Os pesquisadores pretendem ampliar as técnicas utilizadas para encontrar as cobras. Entre as possibilidades estão o uso conjunto de cães farejadores, drones e tecnologias genéticas.
A combinação desses recursos pode facilitar a identificação de áreas com maior concentração de pítons e contribuir para reduzir a quantidade desses animais na região.
Como as pítons chegaram à Flórida?
As pítons-birmanesas começaram a ser observadas nos Everglades na década de 1970. A principal hipótese é que tenham chegado à região por meio do comércio de animais exóticos, incluindo exemplares mantidos como animais de estimação ou destinados a colecionadores.
A soltura acidental ou intencional de alguns desses animais permitiu que eles se estabelecessem no ambiente natural.
Sem predadores naturais suficientes e com grande disponibilidade de alimento, as pítons passaram a ocupar uma posição importante na cadeia alimentar dos Everglades.
Inicialmente concentradas no Parque Nacional Everglades e no condado de Miami-Dade, as cobras se espalharam por outras áreas do sul da Flórida.
A capacidade de se esconder e a dificuldade de rastrear esses animais tornam complicado estimar com precisão o tamanho da população. Por isso, os pesquisadores buscam combinar diferentes tecnologias para localizar e controlar a espécie invasora.
