A Polícia Federal investiga a atuação da lobista Roberta Luchsinger em negócios envolvendo a empresa de tecnologia 3Structure, que firmou R$ 81 milhões em contratos e aditivos com o governo federal. As informações são do jornal O Globo.
Segundo os investigadores, haveria uma possível sociedade oculta entre Roberta e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Documentos da PF mencionam o filho do presidente Lula como possível destinatário de repasses e benefícios oferecidos pelo empresário Cleber Ribas, dono da 3Structure.
A apuração identificou pelo menos R$ 2,5 milhões em pagamentos de Ribas para Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. Em mensagens analisadas pelos investigadores, a lobista teria afirmado que parte do dinheiro foi utilizada para comprar passagens aéreas para Lulinha.
Contratos com órgãos públicos
A 3Structure firmou seis contratos com o governo federal para serviços relacionados a backup e armazenamento de dados. O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) concentra R$ 53,1 milhões desse montante, distribuídos em dois contratos e seus respectivos aditivos.
Registros oficiais apontam ainda que Roberta Luchsinger esteve 17 vezes no gabinete do ministro Wellington Dias desde 2023. O ministério afirmou que os encontros não resultaram em atos administrativos e atribuiu as reuniões à relação de amizade entre os dois.
A empresa também fechou quatro contratos, no valor total de R$ 5,8 milhões, com o governo do Maranhão em 2024.
A investigação identificou ainda um contrato de R$ 12,4 milhões da Duosystem com a Secretaria de Saúde do Maranhão. A empresa também teria sido representada por Roberta.
Apuração alcança Ministério da Saúde e Dataprev
A lobista também participou de negociações envolvendo o Ministério da Saúde e a Dataprev, embora os acordos não tenham sido concluídos.
Segundo a investigação, Roberta chegou a encaminhar uma minuta sobre a venda de medicamentos à base de canabidiol ao então chefe de gabinete da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro.
A PF também encontrou áudios que mostram Roberta e Lulinha articulando uma agenda para o governador do Maranhão, Carlos Brandão, no Palácio do Planalto.
O caso integra três inquéritos conduzidos no STF que envolvem Lulinha e Roberta Luchsinger. As investigações apuram possíveis práticas de tráfico de influência.
Procurada, a 3Structure afirmou que venceu as licitações dentro das normas legais e com transparência. Carlos Brandão negou a intermediação de terceiros em sua agenda, enquanto a Duosystem declarou ter vencido uma licitação regular. A defesa de Roberta Luchsinger e a Telebras não se manifestaram.
