A Petrobras decidiu suspender a venda de combustíveis para a Rede Sol, empresa do setor de distribuição, após a companhia ser alvo de investigação na Operação Carbono Oculto, que apura uma suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), um fundo de investimento ligado à facção criminosa teria adquirido debêntures da Rede Sol. A empresa, no entanto, nega a informação e afirma que nunca registrou a venda desses títulos.
A Rede Sol informou que não nega estar sendo investigada, mas rejeita qualquer envolvimento com organizações criminosas. A empresa afirmou ainda que está colaborando com as autoridades responsáveis pela apuração.
Empresa questiona decisão da Petrobras
A Rede Sol avalia que a decisão da Petrobras teria sido influenciada principalmente por pressão de concorrentes no segmento de combustíveis de aviação.
A empresa também citou como possível fator secundário a classificação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que teria incluído o PCC entre organizações consideradas terroristas pelo governo americano.
Em nota, a Rede Sol afirmou que não consta em nenhuma lista de sanções dos Estados Unidos, incluindo a SDN List, do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), nem nas listas de organizações terroristas estrangeiras (FTO) e terroristas globais especialmente designados (SDGT).
Ministério Público afirma que não houve denúncia contra a empresa
A reportagem teve acesso a um documento do Ministério Público que informa que, até o momento, não houve denúncia formal contra a Rede Sol no âmbito da Operação Carbono Oculto.
O documento afirma que “inexiste o oferecimento de denúncia (imputação formal de crime), tampouco medidas cautelares de natureza real e pessoal em desfavor dos solicitantes”.
A declaração indica que, apesar da investigação em andamento, não há, até agora, acusação criminal formal apresentada contra a empresa ou seus representantes.
Petrobras diz que monitora parceiros comerciais
Em nota, a Petrobras afirmou que acompanha a situação de seus parceiros comerciais para evitar relações com empresas que apresentem riscos incompatíveis com suas regras de integridade e compliance.
A estatal confirmou que pode suspender negociações caso identifique riscos relacionados aos seus critérios internos de controle.
A Operação Carbono Oculto investiga possíveis esquemas envolvendo organizações criminosas no setor de combustíveis, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e participação de grupos ilegais na cadeia de distribuição.