O futuro presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, afirmou que magistrados devem evitar manifestações políticas públicas e defendeu a criação de uma quarentena para integrantes do Judiciário e do Ministério Público que desejem disputar cargos eletivos.
A declaração foi dada nesta sexta-feira (31), durante uma sabatina no congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Segundo Salomão, um juiz que mantém posicionamento político declarado não estaria adequado ao exercício da magistratura.
“Juiz que tem posicionamento político está na profissão errada”, afirmou o ministro.
Salomão, que assumirá a presidência do STJ em 19 de agosto, também disse que as regras estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para limitar manifestações políticas de magistrados são um “caminho sem volta”. Ele destacou ainda que as redes sociais facilitam a fiscalização, já que declarações e atitudes ficam registradas.
Quarentena antes de entrar na política
O ministro defendeu que juízes e membros do Ministério Público que pretendam disputar eleições cumpram um período de afastamento antes de ingressar na política.
Sem citar nomes, Salomão criticou casos de pessoas que “penduram a toga em um dia e, no outro, saem candidatos”, defendendo uma transição mais distante entre a carreira pública e a atuação eleitoral.
A discussão ganhou força após integrantes da Operação Lava Jato deixarem suas funções e ingressarem na política em 2022, como o ex-juiz Sergio Moro e o ex-procurador Deltan Dallagnol.
Atuação no CNJ
Durante o período em que comandou a Corregedoria Nacional de Justiça, no CNJ, Salomão tomou decisões relacionadas à conduta de magistrados e abriu investigação sobre a gestão de recursos arrecadados pela Operação Lava Jato.
Outro caso envolvendo atuação política de ex-integrantes do Judiciário foi o do juiz federal Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio de Janeiro, que teve aposentadoria compulsória determinada pelo CNJ em 2025.
A posse de Salomão na presidência do STJ ocorrerá em agosto, quando ele passará a comandar a Corte responsável por uniformizar a interpretação da legislação federal no país.